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Deu no Lince, jornal-laboratório produzido pelo curso de jornalismo do Centro Universitário Integrado Newton Paiva (Belo Horizonte), quando Carolina Brauer era estudante de Jornalismo na referida instituição, nos idos de 2005 ou 2006, sei lá…

Arroz com feijão: o par perfeito

Casamento entre o cereal e a leguminosa – uma união estável e repleta de nutrientes essenciais – é indispensável ao cardápio dos brasileiros

Parece uma combinação simples, e de fato o é. Pode remeter, na linguagem popular, ao básico e ao trivial. Costuma ser o mais barato dos pratos oferecidos por bares e restaurantes. Recebe mais de um milhão de menções em sites de busca da internet. Mas, mesmo com caráter eminentemente popular, reflete um dos mais bem sucedidos casamentos de que sem tem notícia. A combinação do arroz com feijão, tradicional no prato dos brasileiros, forma uma dupla nutritiva e rica em nutrientes. Consumidos juntos, formam uma combinação perfeita.

Quem não se sensibiliza diante desta verdadeira iguaria ou é bobo ou ainda não teve o paladar despertado para o simples e belo

O arroz, originário da Ásia, é um cereal rico em vitaminas do complexo B e carboidratos, além de outros nutrientes, e pobre no aminoácido lisina, que é encontrado em abundância no feijão. A leguminosa, trazida pelos portugueses, é fonte de ferro, proteína vegetal e outros elementos essenciais para o funcionamento do organismo.

A receita também é indicada para dietas de emagrecimento e manutenção da saúde, é o que diz a endocrinologista Valéria Guimarães, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem). De acordo com a endocrinologista, o importante é que a quantidade ingerida seja dosada, e nunca substituída.

Juliana Gresta Moreira, nutricionista especialista em Nutrição Humana e Saúde (UFLA), atesta os benefícios desse “casamento”: “A proteína, para ser de boa qualidade, precisa ter 100% de todos os aminoácidos essenciais. O arroz e o feijão, separadamente, não possuem essa graduação protéica, mas, juntos, formam proteínas de boa qualidade”.

Redução no consumo

Desde a década de 70, o Brasil registra queda na ingestão de arroz com feijão. A Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) de 2002/2003, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), detectou redução de 30% no consumo de feijão e 23% no de arroz, no comparativo com pesquisa realizada em 1974/1975. Cada vez mais as pessoas alimentam-se fora de casa, e a sempre crescente oferta de produtos alimentícios põe em xeque a supremacia do matrimônio.

A expansão dos fast-foods e o advento dos supermercados, segundo estudos desenvolvidos por Suzana Inez Bleil, mestre em Sociologia Rural pela Unicamp, tem, gradativamente, modificado os hábitos alimentares dos brasileiros. Especialistas garantem que o prato mais tradicional do país não pode sucumbir à lógica econômica, pois se constitui em uma combinação saudável e acessível de proteínas vegetais, ferro e fibras.

Para populações de baixa renda, que possuem acesso restrito ao consumo de carnes, a manutenção da iguaria nos cardápios diários é fundamental, como explica a nutricionista Aleandra Moreira que, diariamente, comanda a Cantina Pelego’s, no campus da UFMG. “A mistura de arroz com feijão é a mais completa, em se tratando de aminoácidos. Os aminoácidos, por sua vez, formam as proteínas – também encontradas nas carnes. O custo da carne é alto para comunidades de baixa renda per capta, e seu não-consumo pode ocasionar carência de nutrientes importantes. Nesse sentido, o consumo de arroz com feijão, encontrado nas cestas básicas, é fundamental”, diz a nutricionista.

Pesquisas

Segundo a Embrapa, existem mais de dez mil tipos de arroz e de feijão. Baseada na percepção de que existem diferenças nutricionais em cada uma dessas variações, a empresa vem desenvolvendo estudo para beneficiar produtores rurais e oferecer algo mais à população. Equipamentos da Embrapa de Pelotas (RS) identificam, desde a década de 80, os diferentes tipos de feijão.

Com a pesquisa, os cientistas esperam diminuir as chances de aumento de colesterol no sangue e de a pessoa engordar. “De repente, vamos ter feijões destinados a diferentes tipos de uso”, revela o engenheiro agrônomo Irajá Ferreira Antunes. Em uma estufa da Embrapa em Goiás, um experimento gerado a partir do cruzamento de diferentes tipos de arroz vai produzir grãos mais fortes e resistentes. O arroz resultante poderá ser triturado, virar farinha, misturado a outros nutrientes e se tornar matéria-prima para macarrão, pães e bolos.

Informações nutricionais

Arroz cozido (100g / 2 colheres rasas)

Feijão (100g / 2 colheres rasas)

Calorias

128 kcal

76 kcal

Carboidratos

28,1 g

13,6 g

Proteínas

2,5 g

4,8 g

Lipídeos

0,2 g

0,5 g

Colesterol

0 g

0 g

Fibra   alimentar

1,6 g

8,5 g

Fonte: Tabela Brasileira de Composição dos Alimentos/ Nepa-Unicamp (2006)

Durante os meses de novembro e dezembro de 2011 enviei e-mails para a Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH)  e para a Assembléia Legislativa do Estado de Minhas Gerais (ALMG), na tentativa de sugerir aos parlamentares leis que pudessem  instituir a disciplina Educação Ambiental e Cidadã em todas as escolas do município de BH (no âmbito da CMBH) e em Minas (no âmbito da ALMG), e que contribuíssem para fomentar uma cultura de respeito e zelo para com o espaço público e o meio ambiente, que também são as cidades e as pessoas.

De tanto se incomodar com a falta de respeito e zelo para com o espaço público da população, composta por "pobres" e "ricos" sem educação, esta escriba que vos fala resolveu arregaçar as mangas e tentar fazer a diferença

- Há considerações sobre a necessidade de se instituir a disciplina Educação Ambiental e Cidadã nas escolas do município (e, por que não, no estado);

- Há sugestões do que deve conter um currículo da disciplina Educação Ambiental e Cidadã;

- Há considerações sobre a necessidade de se instalar placas em todos os locais de grande circulação da cidade (pontos de ônibus, entorno das estações de metrô, praças, parques, ruas muito movimentadas, etc) que contenham os seguintes dizeres (é só um exemplo de redação): ”Jogue o lixo na lixeira – caso não haja uma lixeira próxima, mantenha seu lixo com você até encontrar uma. Seja cidadão, ajude a conservar a cidade, que é de todos” . Igualmente, sobre a necessidade de instalação de placas  nos estabelecimentos que comercializam mercadorias que gerem resíduos facilmente encontrados pelas ruas e locais de grande circulação da cidade (balas, chicletes, chup-chups, picolés, sucos e refrigerantes em copos de plástico descartáveis, etc) que enfatizem esse comportamento: “Jogue o lixo na lixeira, seja cidadão!”. E, da mesma forma, sobre a necessidade de instaação de placas nos Pontos de Entrega Voluntária de Recicláveis (PEVR) espalhados pela cidade, com instruções sobre como e o que reciclar. O objetivo é o de educar e/ou criar certo constrangimento nesses indivíduos, para que um dos comportamentos mais observáveis no que diz respeito à falta de educação relativa ao meio ambiente (no caso, a cidade) e à cidadania, que gera danos tanto ao meio ambiente quanto aos cofres públicos, o de jogar lixo no chão (e o de não encaminhar da forma correta os resíduos para a reciclaem), seja efetivamente combatido.

Essas sugestões são complementares, pois, enquanto uma irá trabalhar “na base”, em cidadãos ainda em formação em seus aspectos cognitivos e emocionais (instituição da disciplina Educação Ambiental e Cidadã nas escolas), a outra buscará atuar por meio de uma ação tópica, junto àqueles que não mais dispõem da possibilidade de aprender conceitos ligados ao respeito ao meio ambiente e à convivência em sociedade por meio do ambiente escolar, mas que também precisam ser “educados” e “instruídos”, o que acabará ocorrendo com a instalação dessas placas nos locais supracitados. Muitas vezes, do que o cidadão precisa para não poluir as vias da cidade é apenas um “toque”, um “leve constrangimento moral”.

A ”Lei das Placas Educativas” poderá contribuir inclusive para a implementação da Lei 18.031, que trata da “logística reversa de resíduos em Minas Gerais”. Isso porque essa lei estabelece que os comerciantes e os consumidores também precisam ser responsabilizados na cadeia de geração de resíduos.

Ainda não existe regulamentação dessa lei que estabeleça quais condutas devem ser tomadas tanto pelo consumir quanto pelo comerciante relativas à destinação de seus resíduos, bem como qual é a punição para transgressões às normas.

Assim, a Câmara Municipal de Belo Horizonte, de forma pioneira e progressista, poderá, instituindo a Lei das Placas Educativas, cumprindo seu papel na busca da implementação efetiva da Lei n° 18.031. Com a implantação da disciplina Educação Ambiental e Cidadã nas escolas não será diferente!

Abaixo, o texto do e-mail que foi enviado à CMBH e à ALMG:

“São necessárias leis para que certos comportamentos deletérios à vida em comunidade sejam postos de lado. Para tanto, o estímulo à educação ambiental, cívica e cidadã pode advir de leis específicas, de cunho educativo, com vistas a ¿forçar¿ certos comportamentos necessários à vida em sociedade e à continuidade da vida no planeta, senão por educação ou por respeito à coletividade, pelo temor de sansões e multas.

Quatro sugestões de leis, ações simples, mas que farão a diferença, seguem abaixo:

1) A cidade precisa de uma lei que acabe com os desperdícios de água, que ocorrem, por exemplo, quando o cidadão literalmente varre a calçada utilizando uma mangueira de água, em vez de vassoura.

2) A educação ambiental, cívica e cidadã precisa fazer parte dos currículos escolares das escolas municipais e estaduais, da rede pública e privada, com vistas a fomentar uma cultura de respeito ao meio ambiente.

3) A educação ambiental, cívica e cidadã também precisa ser estimulada por meio de mecanismos legais que podem se dar, por exemplo, quando se institui a obrigação legal de o município instalar placas “instrutivas, chamativas e peremptórias” em todas as praças e espaços públicos de convivência, com dizeres sobre a necessidade de se “jogar o lixo no lixo”, disponibilizando lixeiras e as respectivas “placas instrutivas, chamativas e peremptórias” nos pontos de maior circulação desses locais.

Muitas vezes, do que o cidadão precisa é apenas um leve “estímulo moral”. Então, nos primeiros tempos de implantação dessa lei, seria interessante haver nos mais importantes locais com essas características pessoas treinadas para instruir a população no sentido de encaminhar os resíduos para as lixeiras.

4) É preciso instruir as pessoas para que encaminhem seus resíduos à reciclagem de forma correta. Então, os Pontos de Coleta Seletiva de Entrega Voluntária de Recicláveis precisam igualmente contar com grandes e chamativas placas que instruam a população a utilizar melhor esse tipo de serviço. Sendo assim, é preciso explicar às pessoas, por exemplo, por meio de grandes e chamativas placas disponibilizadas ao lado dos containeres de coleta seletiva de entrega voluntárias, que o encaminhamento dos materiais recicláveis deve obedecer a alguns critérios, como a higienização e a secagem de todas as embalagens a serem recicladas, de forma a retirar todos os resíduos dos alimentos, que atraem vetores de doenças e inviabilizam a reciclagem. É preciso explicar também que nesses locais de entrega voluntária, os materiais devem ser triados para que cada tipo de resíduo seja encaminhado ao respectivo container: papel, plástico, metal, vidro. Além disso, nem tudo pode ser reciclado ¿ papel higiênico ou papel toalha usado, plástico tipo PVC usado, embalagens de comida com restos de alimento, nada disso pode ser reciclado.”

Será que os parlamentares de BH e de Minas farão a sua parte, no sentido de aprovar leis que busquem promover a educação ambiental e cidadã e o respeito para com o espaço público? Aguardem cenas do próximo capítulo

 Justificativa para implantação da disciplina de Educação Ambiental e Cidadã nas escolas públicas e privadas do município de Belo Horizonte, da 1ª série do 1° ciclo à 3ª série do 2° ciclo

É preciso implementar nas escolas municipais públicas e privadas de Belo Horizonte, da 1ª série do 1º Ciclo à 3ª série do 2º Ciclo, a disciplina “Educação Ambiental e Cidadã”, para que os problemas ambientais que também decorrem da falta de educação ambiental e cidadã da população não comprometam a possibilidade de existência das futuras gerações e do meio ambiente no qual elas estão inseridas. Quanto antes essa disciplina for inserida nas escolas da municipalidade, mais rápido os resultados positivos decorrentes dessa iniciativa surgirão.

A atual problemática ambiental emerge do entendimento das consequências das alterações no meio ambiente, como o aquecimento global, em curso, como sendo fruto da ação humana, em um dado contexto histórico. Tal percepção sugere uma mudança de mentalidade e, consequentemente, a adoção de novos paradigmas.

No entanto, para que essas mudanças necessárias à continuidade da vida no planeta se concretizem, é preciso que cada vez mais pessoas sejam conscientizadas, para que se sintam cada vez mais comprometidas e responsáveis pelo cuidado com a cidade, com a natureza, com o planeta. Essa busca toda só pode passar pela formação de mentes comprometidas e de cidadãos conscientes, com direitos e, sobretudo, deveres. A Educação Ambiental e Cidadã é ainda a principal ferramenta.

Isso é necessário porque ainda não existe entre as pessoas, de uma maneira geral, de todas as classes e categorias socioeconômicas, uma cultura de respeito ao meio ambiente, de uso consciente da água, de encaminhamento de resíduos gerados no cotidiano para a reciclagem e de conservação do espaço público, que não é “terra de ninguém”, mas de responsabilidade de todos os cidadãos, que devem zelar pelo patrimônio público e pelo meio ambiente.

Enquanto a necessidade de implantação da disciplina Educação Ambiental e Cidadã não for levada a sério em Belo Horizonte, a falta de cidadania e de civilidade da população, inclusive de pais e flhos da classe média e média alta da cidade, que conseguem arcar com mensalidades escolares da ordem dos R$ 600, continuarão a fazer com que o pote de Yakult tenha como destino o canteiro da jovem árvore e com que o espaço público seja negligenciado

Diante das circunstâncias, fica claro que a intervenção governamental não é suficiente para coibir a degradação ambiental e a falta de zelo para com o espaço urbano, principalmente no que diz respeito à fiscalização e eventualmente à punição de indivíduos que incorram em transgressões. Nesse sentido, a escola pode e deve contribuir para a formação de cidadãos mais aptos a respeitar o meio ambiente e a vida em comunidade, para que a ação governamental seja menos punitiva e mais preventiva.

Sendo assim, é preciso aliar mecanismos de criação e fomento a uma cultura de respeito ambiental e cívico aos já existentes mecanismos legais que estabelecem condutas, fiscalizam e punem cidadãos que incorram em comportamentos deletérios à vida em sociedade e no planeta.

Educação Ambiental e Cidadã na escola para difundir noção de que somos todos responsáveis pelo meio ambiente e pela cidade na qual vivemos

De acordo com as pesquisadoras Rosane Camargo, pós-graduada do Curso de Especialização em Gestão Escolar pela Unicentro (Universidade Estadual do Centro-Oeste), e Rosângela Abreu do Prado Wolf, professora e mestre em Lingüística Aplicada lotada no Departamento de Pedagogia da Unicentro/campus Guarapuava, autoras do artigo “Educação Ambiental e Cidadania no Currículo Escolar”,

quando se trata de problemas ambientais, exige-se por si só mudança de hábito com atitudes que surtam efeito. Uma das saídas é investir na base, ou seja, trabalhar com as crianças, pois através delas sensibilizaremos os adultos que as rodeiam e estaremos formando cidadãos com consciência ambiental e atitudes corretas. (CAMARGO, WOLF, Revista Eletrônica Lato Sensu, p. ?).

E sendo assim, como explicam Camargo e Wolf, a educação escolar

não pode cometer a estupidez de limitar os alunos em salas de aula, fazendo com que eles “engulam” ecologia como um conjunto de conhecimentos científicos e informações sobre ciclos biogeoquímicos, sistemas de fauna e de flora, cadeias alimentares e classificações de tipos de ecossistema, e ainda avaliá-los de forma tradicional – pergunta/resposta. É óbvio que o conhecimento desses fenômenos é indispensável para a compreensão da vida no planeta Terra e ajuda a defender o meio ambiente, porém, só isso não basta. A Educação Ambiental trata a educação integrada à cidadania, ao dia a dia, à formação da consciência ecológica, saindo da sala de aula de forma transdisciplinar e desenvolvendo atitudes ambientalmente corretas. (CAMARGO, WOLF, Revista Eletrônica Lato Sensu, p. 2).

As autoras explicam no referido artigo que “no Brasil, a visão sobre a evolução da consciência ambiental começou no ano de 1990 (CAMARGO, WOLF, Revista Eletrônica Lato Sensu, p. 3)”, e que em 1991 o Ministério da Educação (MEC), por meio da Portaria 678/91, da Constituição Federal (1989, p. 124), enfatizou a

necessidade de que os sistemas de ensino contemplassem a Educação Ambiental. Atendendo à imposição da Carta Magna, os órgãos responsáveis – Conselho Federal de Educação e Conselhos Estaduais – elaboraram pareceres, visando a adequar a lei às características do sistema de ensino. (CAMARGO, WOLF, Revista Eletrônica Lato Sensu, p. 3).

De acordo com as autoras, o Conselho Federal de Educação, órgão que normatiza e fiscaliza a educação nacional, foi chamado a emitir parecer sobre a inclusão da Educação Ambiental nos currículos escolares.

Citando o conselheiro Niskier (1998), as autoras afirmam que “[...] o caminho para a formação ou o reforço dessa consciência ecológica passa obrigatoriamente pela escola de 1º e 2º graus, no desenvolvimento da educação formal (CAMARGO e WOLF apud Niskier, Revista Eletrônica Lato Sensu, p.5)”.

A recomendação desse Conselho, sob a justificativa de que “a atual grade curricular já é bastante extensa (CAMARGO, WOLF, Revista Eletrônica Lato Sensu, p. 4)”, foi a de que a Educação Ambiental não se constitua como uma disciplina específica, mas que seja trabalhada de forma interdisciplinar. As autoras concordam com essa recomendação, deixando esse posicionamento claro no referido artigo.

É preciso instituir a Educação Ambiental e Cidadã como uma disciplina específica, devido à falta de condições instiucionais de difundi-la de forma interdisciplinar

No entanto, os próprios professores não foram formados dentro dessa cultura de respeito ao meio ambiente e à vida em comunidade nas cidades. Reconhecer isso implica reconhecer que o intuito de trabalhar a Educação Ambiental e Cidadã de forma interdisciplinar encontrará uma série de empecilhos pelo caminho, o que poderá comprometer o objetivo de formar cidadãos mais conscientes e mais aptos a contribuir para a melhoria das condições ambientais, “[...] a esperança na mudança de hábitos da sociedade (CAMARGO, WOLF, Revista Eletrônica Lato Sensu, p. 17)”.

Se ficar só no discurso, a necessária Educação Ambiental e Cidadã não será capaz de transformar positivamente a realidade. Contudo...

Não é preciso ir muito longe para se perceber que não há condições institucionais de que essa Educação Ambiental e Cidadã seja promovida de forma interdisciplinar. Basta observar a realidade de muitos professores, que não têm acesso a cursos de especialização e “reciclagem de conhecimentos”, que recebem remunerações pífias (em Minas Gerais, os professores da rede pública estadual não recebem sequer o piso nacional) e que não são incentivados a contento em sua prática docente.

Como as próprias autoras reconhecem, citando Marcos Reigota, autor do livro “O que é educação ambiental (Editora Terra Livre, 1988)”,

de acordo com o que o pesquisador aponta, uma grande dificuldade que encontramos é a interação entre os professores para desenvolver um trabalho interdisciplinar. O pouco conhecimento dos profissionais e, portanto, a falta de consciência ambiental deixa truncada essa questão. (CAMARGO, WOLF, Revista Eletrônica Lato Sensu, p. 10).

Tal dificuldade foi constatada inclusive em uma pesquisa de campo feita pelas próprias pesquisadoras. Com o objetivo de verificar como vinha sendo feito esse trabalho de Educação Ambiental e Cidadã na cidade de Guarapauava (PR), as autoras empreenderam uma pesquisa investigativa sobre esse trabalho, por meio de questionários realizados com professores, alunos e pedagogas em três escolas públicas localizadas em bairros periféricos desse município (clientela oriunda de famílias de baixo grau de escolaridade). Ainda que essas escolas tenham suas particularidades, sabe-se que a realidade das escolas públicas brasileiras, principalmente aquelas voltadas a uma clientela de baixa renda, é muito parecida.

Quando questionados sobre “o que vem a ser educação ambiental”, em uma das escolas pesquisadas (a de n° 3), “alguns professores responderam de maneira convincente, outros, entretanto, assim como em outras escolas pesquisadas, demonstraram falta de profundidade para com a questão ambiental, bem como falta de comprometimento na luta pela preservação ambiental (CAMARGO, WOLF, Revista Eletrônica Lato Sensu, p. 17)”.

Em uma outra escola (a de nº 2), para essa mesma pergunta, o diagnóstico das autoras foi o seguinte:

Com essa resposta, pode-se perceber que o conceito de educação ambiental está um tanto vago, ou seja, pelo visto ainda não sentiram a gravidade do problema e consequentemente não se tem investido em conscientização de maneira mais coerente. Observa-se também que as práticas utilizadas são bastante simples, sem interação direta com o meio ambiente para incorporar o aprendizado. Para problemas dessa natureza deve haver interação e atividades mais dinâmicas, pois, como se sabe, tudo que é vivenciado torna-se mais facilmente assimilado. (CAMARGO, WOLF, Revista Eletrônica Lato Sensu, p. 16).

Ainda em relação à escola de nº 2, as autoras assinalam que a partir das respostas relativas ao questionamento sobre “[...] o trabalho com um projeto que aborda a questão ambiental nessa escola (CAMARGO, WOLF, Revista Eletrônica Lato Sensu, p. 17)”,

outra vez, pôde-se observar uma falta de comprometimento com as questões ambientais, principalmente tendo em vista a gravidade que tem se apresentado nos últimos anos. Alguns elaboram projeto e tentam aplicá-los, mas não se percebe um empenho que convença os alunos a efetuar uma mudança de postura. (CAMARGO, WOLF, Revista Eletrônica Lato Sensu, p. 17).

Quer dizer, como bem frisam as próprias autoras,

o processo de educação ambiental, como em geral ocorre com todo o processo educacional, exige a participação dos professores, pois implica tarefa didática e pedagógica. Mas os professores sabem das dificuldades práticas para a efetivação dos dispositivos legais. [...] [...] estar informado sobre esses problemas não é suficiente para que haja uma efetiva participação da população nas questões ambientais. É necessário adquirir consciência sobre a gravidade de tais questões para a vida de cada um e da comunidade como um todo. É necessário, também, que as pessoas sejam motivadas a ter uma participação ativa pela melhor qualidade de vida e proteção do meio ambiente. (CAMARGO, WOLF, Revista Eletrônica Lato Sensu, p. 17).

Ademais, as próprias autoras reconhecem também, citando Genebaldo Freire Dias, que

“[...] a realidade ambiental, sendo dinâmica, mutável e socialmente exercitável requer para si um tipo especial de educação, que necessita de vários instrumentos para produzi-la – o Estado é o principal deles”. O autor ainda defende que através da educação formal, [...] como está previsto na legislação que institui a Política Nacional do Meio Ambiente, faz-se necessária uma medida ampla e urgente de sensibilização, não só nos centros urbanos, como também nas áreas periféricas e rurais, colocando o homem no seu verdadeiro lugar, onde ele possa sentir-se força inseparável da natureza, porque é parte de sua estrutura. (CAMARGO e WOLF apud DIAS, Revista Eletrônica Lato Sensu, p. 4).

Sem dúvida, como bem frisam as autoras, “[...] alguns temas como esse podem ser trabalhados de modo interdisciplinar, interagindo com outros conteúdos nas diversas disciplinas (CAMARGO, WOLF, Revista Eletrônica Lato Sensu, p. 16)”. É evidente que a Educação Ambiental e Cidadã não pode ser tratada meramente como uma disciplina, mas sim como parte de um processo de conscientização que deve começar não só na vida dos próprios professores, mas também no seio da comunidade humana, que precisa repensar suas formas de produzir, consumir e viver.

... ainda assim, há gente que sai da zona de conforto, abre o coração e tenta, por meio do exemplo, conscientizar mentes e espíritos em prol da ausa do meio ambiente

É como frisam as autoras, ao comentar as respostas colhidas na escola de n° 1 relativas ao questionamento sobre como eram trabalhadas com os alunos as questões ambientais concernentes ao“[...] aumento dos problemas ambientais relacionados ao modelo capitalista e ao consumismo (CAMARGO, WOLF, Revista Eletrônica Lato Sensu, p. 15):

é necessário que haja um processo que busque despertar a preocupação individual e coletiva para a questão ambiental, garantindo o acesso a informação em linguagem adequada, contribuindo para o desenvolvimento de uma consciência crítica e estimulando o enfrentamento das questões ambientais e sociais. É preciso trabalhar não apenas a mudança cultural, mas também a transformação social, assumindo a crise ambiental como uma questão ética e política. Os professores não foram muito claros sobre como trabalhar a educação ambiental e pôde-se perceber que essa temática é pouco trabalhada na escola.(CAMARGO, WOLF, Revista Eletrônica Lato Sensu, p. 15).

Ainda assim, na mesma escola de nº 1,

Todos afirmaram a importância de ser ter a Educação Ambiental no Currículo Escolar desde cedo, com o intuito de levar a criança a aprender a preservar os diversos tipos de ambientes em que convive, reciclando lixo, plantando árvores e deixando de arrancá-las, bem como para instigá-la a reaproveitar a água, dentre outras práticas essenciais. [...] Sobre a importância da Educação Ambiental no currículo escolar, os professores a consideram de grande importância, para desenvolver através dela a conscientização dos alunos, para que possam preservar o ambiente. (CAMARGO, WOLF, Revista Eletrônica Lato Sensu, p. 15).

Destarte, dadas as atuais circunstâncias, de urgente necessidade de desenvolvimento de mentes conscientes quanto à premência da preservação ambiental e da cidadania, é imprescindível que as escolas da municipalidade (e, quem sabe, do estado de Minas Gerais) adotem a Educação Ambiental e Cidadã como uma disciplina específica.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

CAMARGO, Rosane; WOLF, Rosângela Abreu do Prado. Revista Eletrônica Lato Sensu – Unicentro (Universidade Estadual do Centro-Oeste): Educação Ambiental e Cidadania no Currículo Escolar – disponível em http://web03.unicentro.br/especializacao/Revista_Pos/P%C3%A1ginas/6%20Edi%C3%A7%C3%A3o/Agrarias/PDF/5-Ed6_CA-Educa.pdf, acesso em 26/12/2011, às 11h.

Algumas das sugestões de conteúdo para a grade curricular da disciplina Educação Ambiental e Cidadã que seguem abaixo foram extraídas do artigo “Educação Ambiental e Cidadania no Currículo Escolar”, das pesquisadoras Rosane Camargo, pós-graduada do Curso de Especialização em Gestão Escolar pela Unicentro (Universidade Estadual do Centro-Oeste), e Rosângela Abreu do Prado Wolf, professora e mestre em Lingüística Aplicada lotada no Departamento de Pedagogia da Unicentro/campus Guarapuava. E outras foram elaboradas pela jornalista e educadora musical Carolina Brauer, que, por meio do projeto Tímpano Educação Musical, que alia musicalização infantil e educação ambiental, resolveu extrair de sua experiência cotidiana exemplos de assuntos e abordagens que devem ser tratados em uma disciplina de Educação Ambiental e Cidadã.

Essas sugestões colocadas pelas autoras baseiam-se também na interpretação dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs, 1997), que abordam os conteúdos a serem trabalhados no ensino fundamental e que incluem temas transversais como Meio Ambiente, Pluralidade Cultural e Orientação Sexual. Quer dizer, a Educação Ambiental e Cidadã também pode e deve ser abordada de forma transversal, ou seja, perpassando todas as demais disciplinas.

Canteiro de árvore não é lixeira! Educação Ambiental e Cidadã nas escolas já!

Os PCNs (1997) apresentam como sugestão para a grade curricular da Educação Ambiental e Cidadã uma possível sequência de etapas para planejamento das aulas, de forma a aliar diálogo e prática. Através da utilização de diversos recursos pedagógicos (para despertar um maior interesse nos alunos), tais como trechos de jornais, filmes e até mesmo a saída a campo, é possível delimitar os problemas que serão investigados e levantar hipóteses para solucioná-los. A avaliação, individual ou em grupo, pode ser feita em forma de seminários, relatórios ou outros meios que mostrem sistematização final de conhecimentos.

Vale ressaltar que, independentemente da criação da lei que torna obrigatória a disciplina Educação Ambiental e Cidadã nas escolas da municipalidade, é preciso repensar o processo formador do professor/educador para a escola. Quer dizer, para modificar a escola será imprescindível modificar, antes de tudo, a formação de seus professores, pois de nada adiantarão as determinações de leis ou normas específicas se o professor for apenas titulado e não estiver consciente ou suficientemente preparado para o papel de educador que lhe caberá desempenhar.

- A Educação Ambiental e Cidadã deve ter por objetivo informar e sensibilizar as pessoas sobre os problemas existentes em sua comunidade, buscando transformar essas pessoas em indivíduos que participem das decisões sobre seus futuros, exercendo, desse modo, o direito à cidadania, indispensável no processo de desenvolvimento sustentável.

- A Educação Ambiental e Cidadã deve ser entendida como um instrumento em prol de uma educação política, no sentido de que ela prepara o cidadão para exigir justiça social, cidadania e ética nas relações sociais e com a natureza. Sendo assim, os programas e projetos de educação ambiental devem promover, simultaneamente, o desenvolvimento de conhecimentos técnicos e comportamentais e de habilidades necessárias à preservação e a melhoria na qualidade ambiental, que não é só a “natureza”, mas também as pessoas e o local onde estão inseridas, no caso específico, na cidade de Belo Horizonte (ou o estado de Minas Gerais).

- A Educação Ambiental e Cidadã deve enfatizar o estudo do meio ambiente onde vive o aluno, procurando levantar os principais problemas da comunidade onde está inserido, as contribuições da ciência, os conhecimentos necessários e as possibilidades concretas para a solução deles. Assim, as dimensões socioeconômicas, políticas, culturais e históricas das diversas regiões e bairros de Belo Horizonte (e de Minas Gerais) devem ser consideradas na Educação Ambiental e Cidadã.

- A Educação Ambiental e Cidadã deve enfocar a destruição da vegetação que resta no município (e no estado), ocasionada tanto por fenômenos provenientes de vários tipos de poluição quanto de fatores econômicos, como a especulação imobiliária. Os alunos devem ser incentivados a verificar como o solo, o relevo, a vegetação e até mesmo o regime de ventos comportam-se diante das modificações feitas no meio ambiente, como também devem ser incentivados a buscar ferramentas para recuperar locais degradados e atuar em prol da defesa do meio ambiente.

- A educação ambiental deve se desenvolver dentro da própria escola. Contudo, conforme recomendam os PCNs (1997), a Educação Ambiental e Cidadã também pode se dar por meio das aulas de campo, no espaço urbano, como através de visitas a vias públicas, parques, praças, locais de grande circulação e órgãos públicos, onde os alunos possam perceber a variedade de espécies, os hábitos dos animais, os efeitos da poluição sobre o ambiente, as várias nuances sonoras da natureza e os locais onde as decisões que impactam o meio ambiente são tomadas na cidade.

- Os conceitos ligados à cidadania devem ser igualmente trabalhados, tais como “só jogar lixo na lixeira”; “encaminhar o que for possível para a reciclagem”; “dizer sempre ‘bom dia’, ‘boa tarde’, ‘boa noite’, ‘obrigada’, ‘por favor’, ‘desculpe’, ‘com licença’”; “respeitar o assento preferencial de ônibus e metrôs”; “para descer ou subir escadas, respeitar a convenção de fluxo similar à do trânsito”; “atravessar somente na faixa de pedestre (no caso de pedestres)” ou “sempre dar preferência ao pedestre e respeitar a sinalização de trânsito (no caso de motoristas)”.

- A Educação para o Trânsito deve fazer parte da grade curricular da disciplina Educação Ambiental e Cidadã.

- A Educação Ambiental e Cidadã deve contemplar formas de manutenção da limpeza do ambiente, práticas na agricultura, formas de evitar desperdícios com água e alimentos, maneiras de elaborar campanha ambientais-cidadãs e informações sobre como dispor dos serviços existentes relativos ao meio ambiente e à vida na cidade: de quem podemos cobrar e/ou exigir condutas ambientais e cidadãs? Quais são os órgãos governamentais? Quais são as leis específicas que versam sobre esses temas?

FONTE:

CAMARGO, Rosane; WOLF, Rosângela Abreu do Prado. Revista Eletrônica Lato Sensu – Unicentro (Universidade Estadual do Centro-Oeste): Educação Ambiental e Cidadania no Currículo Escolar – disponível em http://web03.unicentro.br/especializacao/Revista_Pos/P%C3%A1ginas/6%20Edi%C3%A7%C3%A3o/Agrarias/PDF/5-Ed6_CA-Educa.pdf, acesso em 26/12/2011, às 11h.

JUSTIFICATIVA para implantação de lei municipal que obrigue a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte a instalar placas com os dizeres “Jogue o lixo na lixeira ou guarde seu lixo com você até encontrar uma lixeira” em todos os locais de grande circulação da cidade; para implantação de lei que obrigue a instalação de placa com os mesmos dizeres nos estabelecimentos que comercializem mercadorias que geram resíduos facilmente encontrados nas ruas e bueiros da cidade, como copos de plástico, papel de bala, etc; e da mesma foma, de placas nos Pontos de Entrega Voluntária de Recicláveis (PEVR) espalhados pela cidade que forneçam as informações necessárias à correta destinação dos resíduos recicláveis a esses containeres.

É preciso que todos os locais de grande circulação da cidade de Belo Horizonte, como o entorno das estações de metrô, os pontos de ônibus mais movimentados e todas as praças, parques e locais de convivência do município ostentem placas, chamativas e instrutivas, com os dizeres “Jogue o lixo na lixeira (letras maiores) – se não estiver vendo uma lixeira, segure seu lixo com você até que encontre uma (letras menores)”.

Este é o entorno da Estação de Metrô Santa Efigênia. O local permanece constantemente sujo, graças à falta de educação ambiental e cidadã da população em geral (que não é composta somente por pessoas "pobres e sem educação", mas, também, de pessoas "ricas e sem educação"). De fato, não há serviço de limpeza público que consiga dar conta de tamanha falta de civilidade (o hiper-centro da capital é varrido por 14 vezes em apenas um dia, segundo a PBH)

Ao mesmo tempo, é preciso que estabelecimentos que comercializem café, sucos, refrigerantes e cervejas, balas, chicletes, picolés, pirulitos, jornais e sombrinhas, como bares, restaurantes, lanchonetes, padarias, lojas de conveniência, supermercados e bancas de revista igualmente ostentem placas, chamativas e instrutivas, com os mesmos dizeres supracitados. Os estabelecimentos que não instalarem a referida placa, em local visível, deverão estar sujeitos a multas.

Em vez de jogar lixo na lixeira desse restaurante da região centro-sul de BH, clientes tomam o cafezinho e jogam o copo na rua. Alheio a isso, comerciante encerra mais um dia de trabalho e não se preocupa em fazer a sua parte, instruindo as pessoas, mal-educadas

Com a implantação de placas nos estabelecimentos comerciais e locais de grande circulação de pessoas, a economia para os cofres públicos seria enorme. Não somente porque o gasto com a varrição seria menor, mas também porque os custos impingidos ao sistema de saúde, decorrentes, por exemplo, de epidemias de dengue, poderão ser menores, já que os chamados “inservíveis (copos de plástico, tampinhas, latas de alumínio, papeis de bala e plásticos diversos)” são considerados, ao lado dos focos encontráveis nas residências, um dos mais acessíveis locais de reprodução para o Aedes Aegypti.

Além de entupir bueiros e poluir rios, lixo jogado nas ruas também contribui para o aumento de casos da dengue. E as pessoas? É como diz Dominguinhos: "(...) nessa multidão boiada caminhando a esmo"...

Igualmente, Pontos de Entrega Voluntária de Recicláveis (PEVR) espalhados pela cidade precisam ostentar placas, chamativas e instrutivas, que forneçam as informações necessárias à correta destinação dos resíduos recicláveis a esses containeres. Isso porque a destinação de materiais que ainda contenham restos de comida e/ou bebidas, ou seja, que não tenham sido higienizados e secados previamente, e a não-separação desses resíduos em categorias (papel, metal, vidro, plástico), além atrair vetores de doenças para esses locais, como baratas, ratos e escorpiões, cria uma atmosfera fétida, imunda e insalubre, desencorajando e inviabilizando a coleta seletiva.[1]

A conscientização da população quanto à necessidade de encaminhar o lixo para as lixeiras e quanto à necessidade de encaminhar corretamente os resíduos para a reciclagem, por meio da instalação obrigatória de placas instrutivas em locais de grande circulação e em locais de Entrega Voluntária de Recicláveis, por parte do município, e em estabelecimentos comerciais (por parte dos proprietários, com fiscalização da Prefeitura), por meio da instalação de placas nesses estabelecimentos é, pois, uma iniciativa que trará ganhos para os cofres públicos, para a saúde pública e para a prática cidadã.

Não somente: a lei 18.031, que trata da logística reversa de resíduos no estado de Minas Gerais, estipula que os comerciantes e os consumidores também precisam ser responsabilizados na cadeia de geração de resíduos (mesmo que não exista ainda regulamentação que estabeleça quais condutas devem ser tomadas pelo consumir quanto à destinação de seus resíduos e qual a punição para transgressões à norma). Sendo assim, criar formas para chamar a atenção ao fato de que as pessoas precisam encaminhar o lixo para as lixeiras, e no caso da reciclagem com entrega voluntária, encaminhar esses resíduos da forma correta, é contribuir para a exequibilidade da Lei 18.031.

Comerciantes e consumidores também precisam ser responsabilizados na cadeia de geração de resíduos, de acordo com a lei 18.031, que trata da logística reversa de resíduos no estado de Minas Gerais

Evidentemente, tal medida não pode ser considerada de maneira isolada. São inúmeros os desafios a enfrentar para a melhoria das condições de vida no mundo, principalmente relativas a uma mudança de atitude em relação ao meio ambiente, que não se constitui somente de plantas, montanhas, águas e bichos, mas também do ser humano e dos espaços geográficos onde estão inseridos – no caso de Belo Horizonte, na cidade. Nesse sentido, é preciso prover a Educação Ambiental e Cidadã a todos os indivíduos que ainda estão sendo formados (crianças e jovens). Entretanto, antes que a Educação Ambiental e Cidadã possa surtir efeitos, no médio e longo prazo, algo precisa ser feito de imediato, para que cenas como essas presenciadas no fim do ano de 2011 (e compartilhadas por meio deste post) possam ser cada vez menos frequentes.

De acordo com as pesquisadoras Rosane Camargo, pós-graduada do Curso de Especialização em Gestão Escolar pela Unicentro (Universidade Estadual do Centro-Oeste), e Rosângela Abreu do Prado Wolf, professora e mestre em Lingüística Aplicada lotada no Departamento de Pedagogia da Unicentro/campus Guarapuava, autoras do artigo “Educação Ambiental e Cidadania no Currículo Escolar”, citando Júlio José Chiavenato, autor do livro “O massacre da natureza (Editora Moderna, 1994)”,

O homem sabe de toda a problemática, por exemplo, do lixo, mas continua a jogar papel no chão. Chiavenato (1994), numa análise bem reflexiva, questiona: será que o homem é “burro”? e acrescenta: “não se trata de um exercício de “palpitologia”. A destruição do meio ambiente, o perigo que a Terra corre, o risco de o homem desaparecer são verdades afirmadas por ecólogos de todas as correntes científicas e políticas. Se é assim, por que o homem não reage? [...]“. O que o autor Chiavenato discute é um fato muito presente em nosso meio, ou seja, fala-se muito, tenta-se achar o culpado, surgem idéias, mas na prática, a mudança de atitude pouco acontece. Ele chama atenção para a necessidade de mudança aqui e agora, sem mais adiamentos, pois amanhã pode ser tarde demais. (CAMARGO, WOLF apud Chiavenato, Revista Eletrônica Lato Sensu, p. 9).

Contudo, se é praticamente impossível fiscalizar se os cidadãos estão poluindo o espaço público, devido aos altos custos logísticos dessa empreitada, por outro lado, é perfeitamente possível criar formas de se conscientizar as pessoas nos locais mais propícios às transgressões ao Código de Posturas do Município, que diz que é proibido jogar lixo na via pública.

Ora, as cidades também compõem o meio ambiente! Plantar árvores e criar animais, evitando sua extinção, recuperar rios e mananciais são atividades que devem ser aplaudidas. Mas essas atitudes poderão se tornar inócuas se, ao mesmo tempo, medidas não forem tomadas para que as pessoas se conscientizem da necessidade de encaminhar o lixo para as lixeiras, ação necessária à prevervação do meio ambiente, à vida nas cidades e aos cofres públicos.

Afinal de contas, o lixo jogado no espaço urbano acaba indo parar nos rios e mares, causando a morte de peixes e comprometendo a vida marinha, mas não somente: o lixo jogado na via pública entope bueiros e contribui para a ocorrência de enchentes.

Ademais, com o crescimento da economia e a integração de um grande número de pessoas à sociedade de consumo, o volume de resíduos produzidos também aumentou. Pesquisa recente feita pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) confirma esse prognóstico: os resultados são desanimadores!

O estudo Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil (produzido anualmente pela Abrelpe) de 2010 aferiu que a produção e destinação final do lixo brasileiro sofreu retrocessos, em pleno ano no qual foi sancionada pelo governo Lula a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).

Segundo a pesquisa, o volume de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) gerado em 2010 pela população é 6,8% superior ao registrado pelo Panorama em 2009. Foram quase 61 milhões de toneladas de lixo produzidos nos últimos doze meses, e o aumento populacional no país não é desculpa para esse crescimento: o estudo mostrou que a geração de resíduos aumentou seis vezes mais do que a população em 2010, o que significa que, no último ano, cada brasileiro produziu, sozinho, uma média de 378 kg de lixo. (Produção de lixo cresce seis vezes mais do que a população, acesso em 28/12/2011, às 10h).

Dessa forma, é imprescindível tornar obrigatória a instalação de placas, chamativas e instrutivas, com os dizeres “Jogue o lixo na lixeira (letras maiores) – se não estiver vendo uma lixeira, segure seu lixo com você até que encontre uma (letras menores)”, em todos os locais de grande circulação da cidade de Belo Horizonte, como o entorno das estações de metrô, os pontos de ônibus mais movimentados e todas as praças, parques e locais de convivência do município ostentem placas.

Igualmente, tornar obrigatória a instalação de placas, chamativas e instrutivas, com os mesmos dizeres supracitados em todos os estabelecimentos do município que comercializem café, sucos, refrigerantes e cervejas, balas, chicletes, picolés, pirulitos, jornais e sombrinhas, como bares, restaurantes, lanchonetes, padarias, lojas de conveniência, supermercados e bancas de revista, que igualmente devem ostentar esssa placas educativas.

Da mesma maneira, os Pontos de Entrega Voluntária de Recicláveis (PEVR) espalhados pela cidade precisam ostentar placas, chamativas e instrutivas, que forneçam as informações necessárias à correta destinação dos resíduos recicláveis a esses containeres, porque a destinação de materiais que ainda contenham restos de comida e/ou bebidas, ou seja, que não tenham sido higienizados e secados previamente, e a não-separação desses resíduos em categorias (papel, metal, vidro, plástico), além atrair vetores de doenças para esses locais, como baratas, ratos e escorpiões, cria uma atmosfera fétida e imunda, desencorajando e inviabilizando a coleta seletiva

(Dicas sobre o que e como encainhar para a reciclagem? Clique aqui e saiba como contribuir para a preservação do meio ambiente e paraa prática cidadã)

(Quer saber onde estão localizados os Pontos de Entrega Voluntária de Recicláveis (PEVR) de BH? Clique aqui)

Referências Bibliográficas:

 CAMARGO, Rosane; WOLF, Rosângela Abreu do Prado. Revista Eletrônica Lato Sensu – Unicentro (Universidade Estadual do Centro-Oeste): Educação Ambiental e Cidadania no Currículo Escolar – disponível em http://web03.unicentro.br/especializacao/Revista_Pos/P%C3%A1ginas/6%20Edi%C3%A7%C3%A3o/Agrarias/PDF/5-Ed6_CA-Educa.pdf, acesso em 26/12/2011, às 11h.

Produção de lixo cresce seis vezes mais do que população, reportagem extraída de http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/lixo/producao-destinacao-residuos-solidos-brasil-panorama-2010-abrelpe-625938.shtml, acesso em 28/12/2011, às 10h.


[1] Como ocorreu com o Ponto de Entrega Voluntária de Recicláveis (PEVR) que havia em frente a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), que teve seu ponto de coleta retirado do local, a pedido da Associação do Bairro Santo Agostinho, devido à péssima utilização por parte da população, o que tornava o local imundo e insalubre.

Pela Estação de Metrô Santa Efigência transitam centenas de pessoas, diariamente. No período das chuvas recente, graças à economia de mercado chinesa, que faz com que sombrinhas e guarda-chuvas sejam vendidos aqui no Brasil a preços módicos, como R$ 10, e evidentemente, graças também ao aquecimento da economia brasileira promovido na era Lula, quase todo mundo pôde utilizar uma cobertura para se proteger da água da chuva, enquanto caminhava para realizar as atividade cotidianas (quem tem mais de 50 anos sabe como era difícil - e caro - comprar um guarda-chuva).

No local há ambulantes que ganham a vida vendendo artigos oriundos da China, como sombrinhas e guarda-chuvas, que são vendidos em capinhas de plástico (são essas espalhadas pelo chão). As capinhas de plástico deliberadamente jogadas na rua (ou deliberadamente ignoradas por compradores, vendedores e cidadãos passantes) acabam indo parar em bueiros e no próprio Rio Arrudas, que fica bem embaixo da passarela que conduz à entrada dessa Estação, onde atua o menino-trabalhador. Ele, seus fregueses e todos os demais, que nada fazem diante dessa situação, não possuem educação ambiental e cívica

Os ambulantes estão por toda a parte, e o lixo jogado criminosamente no chão, e os plásticos nos quais as sombrinhas e guarda-chuvas comercializados no entorno de estações de metrô e pontos de ônibus, também

Sendo assim, é imprescindível tornar obrigatória a instalação de placas com os dizeres “Jogue o lixo na lixeira – se não estiver vendo uma lixeira, segure seu lixo com você até que encontre uma" em todos os locais de grande circulação da cidade de Belo Horizonte, como o entorno das estações de metrô, os pontos de ônibus mais movimentados, todas as praças, parques e locais de convivência do município, bem como em todos os estabelecimentos do município que comercializem café, sucos, refrigerantes e cervejas, balas, chicletes, picolés, pirulitos, jornais e sombrinhas, como bares, restaurantes, lanchonetes, padarias, lojas de conveniência, supermercados e bancas de revista, e, da mesma maneira, nos Pontos de Entrega Voluntária de Recicláveis (PEVR) espalhados pela cidade, com instruções sobre o que e como reciclar. Muitas vezes, do que o cidadão precisa para começar a respeitar o espaço público é passar por uma experiência que cause um "leve constrangimento moral". Mas atenção: isso não exclui a necessidade de implementação da disciplina Educação Ambiental e Cidadã em todass as escolas da cidade!

Cães e gatos de rua refletem a negliência do poder público e da sociedade para com o próximo

A ciência já sabe, quem tem um cão ou gato sempre soube: os pets são seres senscientes, quer dizer, cães e gatos são capazes de sentir alegria, tristeza, pavor, dor… mas, acredite, todos os dias, até hoje tem abandone seus bichos de estimação.

O abandono tem como efeito a multiplicação de animais que não têm condições de sobrevivência sem a intervenção humana. Sem os cuidados de alguém, os animais de rua ficam sujeitos a mortes por acidente, doenças, maus tratos e desnutrição. É impossível não se emocionar com os relatos sobre maus-tratos pelos quais passam os bichos retirados da rua, que fazem brotar sentimentos como tristeza e descrédito na humanidade.

Contudo, não só os animais sofrem com o abandono: a leishmaniose, doença transmitida ao homem através do mosquito-palha, que pica cachorros infectados e transmite a leishmânia, é mortal em alguns casos.

A castração deveria se constituir como uma das principais preocupações das autoridades públicas, na medida em que se percebe empiricamente o abandono de filhotes por proprietários de animais que não praticaram a posse responsável. Mas a castração sozinha não conseguirá dar conta do tamanho do problema, sem uma paralela promoção da educação em prol da posse responsável no seio da sociedade, que é corresponsável por essa situação.

Qual é o perfil de quem abandona um animal? “É aquela pessoa que compra ou ganha um filhote e o acha ‘a coisa ‘mais fofa do mundo’. Aí o filhote começa a crescer e a pessoa ‘descobre’ que um animal precisa urinar e defecar, que gera despesas e, no caso de cachorros, que precisam inclusive se exercitar. Essas são geralmente as pessoas que abandonam os animais. Infelizmente, são pessoas comuns, que conhecemos no nosso dia-a-dia e que julgamos serem ‘boas pessoas’”, assegura o protetor de animais Paulo Renato Rabelo de Freitas.

(O protetor Paulo Renato vive a resgatar animais de rua e encaminhá-los para a adoção sem nenhum tipo de auxílio ou verba governamental ou de outras pessoas, e garante que “já passou de uma centena, talvez mais de duas”!)

Paulo Renato disponibilza cães e gatos, já tratados, para a adoção. Contatos: saborsemdor@gmail.com

E qual é o perfil de quem adota um animal? “A gente é que busca um perfil, ninguém chega pedindo um gato para adotar. 99% das adoções conseguidas são feitas via internet. A gente usa listas de discussão, redes sociais, e-mail, e rola aquela corrente do bem. Às vezes eu não estou com nenhum bicho, mas há um amigo que tem, então a gente vai tentando, até conseguir. Funciona”, explica Paulo Renato.

(Ainda sobre o Paulo Renato, vale dizer que é vegano, ou seja, não consome na alimentação nenhum produto de origem animal, e que é um empreendedor do “século XXI”, ou seja, que busca seu sustento e o de sua família em um negócio “do bem”: ele comercializa alimentos veganos e tem entrega para BH, Contagem e todo o Brasil! Quer saber mais? Clique aqui e visite o site do sensacional “Sabor Sem Dor”, que une sabor, qualidade e ética em um serviço inédito no país!)

Aquele ponto preto bem abaixo da bilheteria do metrô é uma vida negligenciada pela sociedade

Abandonar um animal na rua é incorrer em crime ambiental, caracterizado pelo art. 32 da Lei nº 9.605/98. As denúncias podem ser feitas em qualquer delegacia, basta que exista alguma prova, como fotografias, testemunhas, placa do carro, etc.

É de competência do Poder Público lidar com o problema dos animais de rua, principalmente das Prefeituras Municipais, mas não somente: as Câmaras Municipais e o Ministério Público igualmente não devem se omitir diante da questão. Em muitas cidades Brasil afora, as Promotorias de Justiça vêm cobrando das prefeituras a apresentação e a efetiva implementação de projetos ligados ao problema dos animais de rua. De acordo com o Decreto Federal n° 24.645, de 1934, em seu Art. 1, “Todos os animais existentes no País são tutelados do Estado”.

Em BH, uma revolução na forma de encarar o problema

A política pública adotada pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Belo Horizonte, durante o governo do prefeito Márcio Lacerda (PSB), é um exemplo de como é possível mudar essa realidade, a partir de iniciativas governamentais em parceria com Organizações Não-Governamentais (ONGs) e a sociedade civil.

Na capital mineira, no censo de 2010, foram contabilizados 38.796 gatos. Estima-se que 10% dessa população seja de rua. Ainda de acordo com a estimativa oficial, em BH existem cerca de 30 mil cães abandonados.

Até quando permaneceremos embrutecidos diante de cenas como esta, em que o cadáver de um cachorro jaz na esquina da av. do Contorno com rua Estevão Pinto, sem que isso tenha mobilizado ninguém?

Diante dessa situação, a prefeitura de BH passou a promover feiras de adoção para animais, ostentando o título de primeira capital do país a implementar o sistema de feiras de adoção. O resultado foi a implantação do projeto “Adote um amigo”, que vem acontecendo regularmente em vários pontos de BH. Em lugar do extermínio de cães e gatos ou da simples negligência governamental em torno do tema, a compaixão, o respeito aos seres e à vida.

Estima-se que existam 30 mil cães de rua em BH. Para mudar essa realidade, a cidade implementou um programa inédito de recolhimento, triagem, microchipagem e encaminhamento para doação, em feiras de adoção

Com isso, a capital mineira deixou um saldo importante no ano passado, fruto da parceira entre a Secretaria Municipal de Saúde e a ONG “Ninho dos Bichos”: a realização de 24 feiras e a doação para adoção de 380 animais, entre cães e gatos. As feiras acontecem semanalmente, em diferentes regiões da cidade. Os interessados em adotar um animal devem apresentar carteira de identidade, CPF e comprovante de endereço.

Para a coordenadora do programa, Ione Torquato, a cidade vive uma mudança de paradigma. “Onde antes se matava, agora se cuida, se salva. Todos que se indignam ao ver animais soltos pelas ruas são convidados a conhecer esse trabalho e, quem sabe, adotar um amigo”, convida ela.

De acordo com a Gerência de Comunicação Social da Secretaria Municipal de Saúde da Prefeitura de Belo Horizonte, o CCZ de BH recolhe uma média de 150 a 200 animais por mês, que ficam esperando ser resgatados pelos proprietários por uma semana.

Quando chegam ao CCZ de BH, os animais passam por uma triagem para realização de exame de leishmaniose. Os positivos são encaminhados para a eutanásia e os negativos são castrados, vacinados, vermifugados, microchipados e encaminhados para a adoção. Se não forem adotados, são devolvidos ao local onde foram capturados.

Desde 2008 o CCZ de BH só pode fazer eutanásia de animais positivos para leishmaniose visceral canina, e a castração é gratuita desde 2005.

Os interessados em adotar um animal devem comparecer pessoalmente à unidade (Rua Edna Quintel, 174 – São Bernardo) ou ligar para o telefone 3277-7411 ou 7413, e apresentar carteira de identidade, CPF e comprovante de endereço. Os animais para adoção são vacinados, castrados e microchipados.

Em São Paulo, a microchipagem é obrigatória

Exemplos de como lidar com o problema não faltam. O CCZ de São Paulo instituiu em 2001 o Programa Saúde do Animal (PSA), para diminuir o número de cães e gatos abandonados e eutanasiados na cidade e a ocorrência de agravos e do risco de transmissão de zoonoses por essas espécies.

Dentre as ações do PSA, destaca-se a promoção da educação continuada em posse responsável, que treinou, entre os anos de 2002 e 2005, 1.146 escolas particulares e municipais de ensino fundamental, contou com 14 mil educadores envolvidos e contabilizou em sua área de abrangência quase 100 mil alunos. Igualmente, quase 100 mil alunos da Educação Infantil foram contemplados.

Além disso, é obrigatório por lei que desde 2002 todos os cães e gatos de São Paulo sejam registrados, o que possibilita nortear políticas de saúde pública e animal, bem como facilita o processo de responsabilização de proprietários que abandonem seus animais ou os maltratem.

O que é posse responsável?

Consiste, basicamente, em se castrar o animal, utilizar telas nas janelas e muros, impedir a saída do animal do apartamento, da casa ou dos limites murados do quintal, alimentá-lo preferencialmente com ração de boa qualidade, vaciná-lo periodicamente e dar a ele acesso a consultas veterinárias. No caso de cães, é preciso também criar oportunidades para que possam se exercitar, com caminhadas frequentes de cerca de 30 minutos, com ritmo constante.

Sem um programa de microchipagem, adoção e conscientização, cenas como essa, que mostra cachorros vagando pelas ruas de um bairro da zona rural de Contagem/MG, ainda serão constantes

Momentos memoráveis da entrevista com Paulo Renato Rabelo de Freitas, protetor dos animais:
“Ao contrário de um mendigo que vai estender a mão, os animais não têm voz, então precisamos começar a perceber que nós é que somos a voz deles! Veja o caso do yorkshire que foi espancado por aquela enfermeira, o que abalou o Brasil inteiro. Foi uma coisa monstruosa: foram bilhares de acessos na internet, as pessoas se mostraram revoltadas. Mas falta a ação e a articulação”
“Se eu puder deixar alguma mensagem, eu não pediria dinheiro a ninguém, mas que, se as pessoas pensam em ter um animal, de forma alguma comprem, mas adotem um animal. Não coloquem dinheiro na mão de quem explora, mas tirem da rua alguém que precisa! E que tenham a posse responsável, não abandonando, não negligenciando, não maltratando”.
“Não sou nenhum herói. Quem faz isso não é herói, são pessoas comuns, gente que trabalha, que passa aperto, mas que sente que existe uma obrigação moral em tentar ajudar ao saber que existe alguém sofrendo, seja de qualquer cor, sexo ou espécie”

Pelo menos agora não se pode mais dizer que “o PIG (*) não existe”!!!

A emissora de TV RecordNews foi, até então, a única a quebrar o silêncio em torno de denúncias (amplamente acompanhada por documentação obtida de forma legal, em cartórios, por exemplo) contra a fina flor tucana, como José Serra (e sua família), Ricardo Sérgio de Oliveira, caixa das campanhas eleitorais do PSDB, e Aécio Neves. As denúncias integram o livro “A privataria tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr., lançado a menos de uma semana e já esgotado (15 mil cópias!).

A reportagem da RecordNews está disponível aqui.

O livro de Amaury, fruto de mais de dez anos de pesquisa, é um verdadeiro fenômeno editorial que convenientemente não recebeu o devido destaque na chamada grande mídia. As denúncias, pesadas e volumosas, dão conta de movimentações superiores a 2,5 bilhões de dólares, via paraísos fiscais, que envolvem suposta prática de corrupção, lavagem de dinheiro, propina, tráfico de influências, fraude em concorrências e arapongagem, dentre outras falcatruas que teriam ocorrido no contexto das privatizações do governo FHC.

Amaury Ribeiro Jr., repórter investigativo que já ganhou o Prêmio Esso de Reportagem, uma espécie de Oscar do jornalismo brasileiro, traz à tona denúncias seríssimas, mas que vem sendo solenemente ignoradas pela chamada grande mídia.

"Sete ministros da presidente Dilma já caíram, sempre em razão de denúncias de corrupção ou tráfico de influência. Em todos os casos, a mídia cumpriu seu papel. Investigou e manchetou. Impiedosamente. A oposição botou a boca no trombone, como lhe cabe fazer. Mas desde sexta-feira o que se ouve é um Estrondoso Silêncio (Bob Fernandes, comentarista político)".

Tal fato mostra, agora para quem quiser ver (e der conta de ver, pois se vê aquilo que se dá conta), que o denuncismo midiático, o “jornalismo investigativo”, além de se constituir como um misancene de uma mídia partidária, autorreferenciada e dotada de uma moralidade seletiva – a mídia NÃO é isenta, NÃO é objetiva -, em nada contribui para o aprimoramento da democracia, já que escolhe que tipos de “verdades” deverão chegar às pessoas, em detrimento de outras, para que as pessoas pensem de uma forma e não de outra forma.

Ora, não é preciso ser especialista em semiótica para perceber isso, que a mídia busca forjar uma pretensa esfera pública de acordo com seus próprios critérios do que venha a ser “interesse público”!

Teorias da comunicação: mídia manipula multidão

Ainda assim, vale a pena reproduzir abaixo um resumo sobre as Teorias da Comunicação, por Mauro Wolf, disponível na Wikipédia aqui:

“A Teoria do Agendamento estuda o poder de agenda dos meios de comunicação, ou seja, a capacidade que estes possuem para evidenciar um determinado assunto. Para isso, investiga a importância da mídia como mediadora entre o indivíduo e uma realidade da qual este se encontra distante. O Agenda Setting é referido como uma “hipótese” devido às dificuldades metodológicas impostas por suas premissas e conclusões.

Os estudos sobre os gatekeepers (“guardiões do portão”) analisam o comportamento dos profissionais da comunicação, de forma a investigar que critérios são utilizados para se divulgar ou não uma notícia. Isso porque estes profissionais atuariam como guardiões que permitem ou não que a informação “passe pelo portão”, ou melhor, seja veiculada na mídia. A decisão de publicar algo ou não publicar depende principalmente dos acertos e pareceres entre os profissionais, que estão subordinados a uma cultura de trabalho ou uma política empresarial e ainda aos critérios de noticiabilidade. E que não raro exclui o contato com o público.

Segundo Mauro Wolf, o conceito de newsmaking diz respeito ao profissional jornalista que dentro da empresa atua como editor. É aquele que é responsável pela configuração final da página (quando no jornal impresso) ou da sequência das notícias, bem como daquelas que serão manchetes. É um sujeito que fabrica a realidade porque, tendo incorporado os critérios universais de seleção daquilo que distingue fatos de acontecimento, vai selecionar de acordo com a seleção já determinada pelas agências de notícias.

O editor – que é um gatekeeper ao selecionar – fabrica o que vai ser notícia. O jornalismo de massa, ou o jornalismo produzido pela indústria cultural, é um jornalismo que serve aos interesses do capital e é produzido para reproduzir comportamentos e não para informar, no sentido que esperava-se do jornalismo. Isto porque quem mantém um jornal é sempre alguém que é um grande proprietário ou alguém em débito com o governo e/ou com as elites econômicas.”

(fonte: WOLF, Mauro. Teorias da Comunicação. Lisboa: Editorial Presença, 1995.)

“Se o livro de Amaury não prova nada, que se escreva isso”

“Se o livro do Amaury não é bom e não prova nada, que se escreva isso com todas as letras. O que não dá é para fingir que o livro, resultado de mais de dez anos de pesquisas do repórter, não existe, é um fantasma criado pela blogosfera desvairada. (…) Trata-se do exemplo mais descarado de manipulação da informação e do tratamento seletivo das denúncias do “jornalismo investigativo” da velha imprensa. (…) Para quê e para quem, afinal, serve esta liberdade de imprensa pela qual todos nós lutamos durante os tempos da ditadura, que eles apoiaram, e hoje é propriedade privada de meia dúzia de barões da mídia que decidem o que devemos ou não saber?”, pergunta-se em seu blog o jornalista Ricardo Kotscho, 63, repórter desde 1964, que já trabalhou em praticamente todos os principais veículos da imprensa brasileira, ganhou os prêmios Esso, Herzog, Carlito Maia, Comunique-se, Top Blog e Cláudio Abramo, dentre outros, e em 2008 foi um dos cinco jornalistas brasileiros contemplados com o Troféu Especial de Imprensa da ONU.

“Sete ministros da presidente Dilma já caíram, sempre em razão de denúncias de corrupção ou tráfico de influência. Em todos os casos, a mídia cumpriu seu papel. Investigou e manchetou. Impiedosamente. A oposição botou a boca no trombone, como lhe cabe fazer. Mas desde sexta-feira o que se ouve é um Estrondoso Silêncio”, afirma Bob Fernandes, comentarista político. O vídeo com o comentário completo está disponível aqui.

Dilma, de cabeça erguida, encara os inquisidores da ditadura, envergonhada

Paulo Henrique Amorim dá conta em seu Conversa Afiada de que no “Epílogo” de “A Privataria Tucana” é possível ser lembrado de que:

“- no México, o presidente Carlos Salinas de Gortari, santo padroeiro das privatizações (ele entregou o México ao Slim), fugiu para Nova York num jatinho.

- o presidente da Bolívia, Gonzalo Sánchez Lozada, que entregou até a água do país, fugiu para Miami aos gritos de “ assassino !”.

- Fujimori, o campeão das privatizações peruanas, admitiu pagar propinas ou “briberization” – expressão do Joseph Stiglitz, que o Amaury gosta de usar – no valor de US$ 15 milhões.

- na Argentina, ninguém, mais fala “Menem”. Quando é para se referir ao herói da privatização argentina, “el saqueo”, o presidente Carlos Menem, se diz “Mendéz”, para não dar azar. Menem fugiu para o Chile atrás de uma starlet e voltou para a Argentina munido de um mandato de Senador, para não ir em cana.

- aqui, levam o Fernando Henrique a sério”.

Onde está o pessoal da “Marcha da corrupção” agora (eu me pergunto)? Acorda, galera!

(*) PIG: “O Partido da Imprensa Golpista (comumente abreviado para PIG ou PiG) é uma expressão usada por órgãos de imprensa e blogs políticos de orientação de esquerda para se referir a órgãos de imprensa e jornalistas por eles considerados tendenciosos, que se utilizariam do que chamam grande mídia como meio de propagar suas ideias e tentar desestabilizar governos de orientação política contrária.

(….) O termo é utilizado para se referir à qualidade do jornalismo praticado pelos grandes veículos de comunicação do Brasil, que seria, segundo seus criadores e utilizadores, demasiadamente conservador e que teria o intuito de prejudicar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e membros de seu governo de forma constante.

(…) A expressão foi popularizada pelo jornalista Paulo Henrique Amorim em seu blog Conversa Afiada.

(…)Amorim afirma ainda que a imprensa brasileira seria golpista sempre que o presidente da república é de origem trabalhista, ao mesmo tempo a imprensa nunca publicaria absolutamente nada contra presidentes de origem não trabalhista. O PIG, segundo ele, teria sua origem com Carlos Lacerda, que ajudou a “matar Getúlio Vargas”; teria continuado travando sua luta contra Juscelino Kubitschek e João Goulart, até se aliar à ditadura militar; teria perseguido o governo Brizola; e agora conspiraria contra o governo Lula.

(…) O cientista político Wanderley Guilherme dos Santos declarou, em entrevista à revista Carta Capital em 2005: “A grande imprensa levou Getúlio ao suicídio com base em nada; quase impediu Juscelino de tomar posse, com base em nada; levou Jânio à renúncia, aproveitando-se da maluquice dele, com base em nada; a tentativa de impedir a posse de Goulart com base em nada.”. Na opinião de Santos o papel da imprensa livre é o de “tomar conta, sim. Desestabilizar, não. A estabilidade não pode depender de militar, nem da Igreja, nem da imprensa” (Trechos extraídos do verbete “PIG” da Wikipédia, disponível aqui).

Dentre os temas abordados pela iniciativa de capacitar profissionais para a cobertura de assuntos ligados a petróleo, gás natural e energias renováveis, indícios de existência de GLP na Bacia do Rio São Francisco, descoberta do pré-sal e importância estratégica da autossuficiência petrolífera brasileira na cena mundial

A Petrobras realizou o “Curso de Energia para Jornalistas” em Belo Horizonte, nos dias 3 e 4 de novembro, que ocorreu na região central da capital mineira. O objetivo da iniciativa, que já se deu em outros locais do Brasil, é instrumentalizar jornalistas para cobrir a área de energia ligada ao petróleo e derivados.

Essa instumentalização é importante porque a cobertura do tema é por vezes muito técnica, o que exige um conhecimento mínimo de geopolítica petrolífera, processos de refino, biocombustíveis, energias renováveis e até mesmo de geologia brasileira por parte de repórteres e editores.

No Curso para Jornalistas promovido pela Petrobras em Belo Horizonte, vários eram os órgãos de imprensa mineiros representados por seus jornalistas

O mercado de derivados de petróleo e biocombustíveis vem crescendo em números superiores aos do PIB brasileiro. A evolução da demanda de biocombustíveis, recente, aumentou a capacidade de o consumidor escolher que tipo de combustível usar.

Os combustíveis são importantes para o orçamento tributário de Minas Gerais, e foram responsáveis por 18,60% da composição do ICMS do estado no ano de 2010, figurando em terceiro lugar no ranking dos maiores contribuintes (por setor), atrás de Indústria (23,25%) e Comércio (21,21%). Desses 18,60%, a Petrobras é responsável por 15,4%, e a Refinaria Gabriel Passos (Regap), por 10,1%.

Ao longo dos quase 60 anos de existência da Petrobras, criada por Getúlio Vargas em 1953, a companhia adquiriu, de acordo com Álvaro Arouca, gerente de Interpretação Exploratória no Norte da Bacia de Campos e um dos palestrantes convidados, “um conhecimento muito seguro das bacias petrolíferas, principalmente na época do monopólio. Entender o processo geológico brasileiro, para saber onde buscar petróleo, adaptando-se às ferramentas tecnológicas e às matrizes energéticas foi e é fundamental para isso”.

Arouca afirma ainda que a decisão da companhia de ir para o mar no ano de 1968, que partiu de uma consciência de que o petróleo em terra, mais valorizado comercialmente, não deveria ser o foco brasileiro, “fez com que a Petrobras viesse a se tornar o que ela é hoje”.

A estimativa é a de que o petróleo siga sendo a principal matriz energética do mundo até pelo menos 2030

A queima de combustíveis fósseis do  atual estágio do way of life da humanidade, moderno e capitalista, do qual ninguém parece escapar, é apontada como uma das maiores responáveis pelo aquecimento global em curso. Ademais, existe um clamor, com ocorrências pontuais, em prol do desenvolvimento de tecnologias que viabilizem a utilização de fontes de energia renováveis e politicamente ecológicas, em escala mundial.

Tais fatores sugerem que o mundo precisa rever sua política de utilização do petróleo na manutenção de seu estilo de vida.

Contudo, o petróleo é e  seguirá ainda o sendo, por décadas, uma das pincipais matrizes energéticas do planeta.

E, sendo assim, possuir reservas de hidrocarbonetos em solo brasileiro e um patrimônio como a Petrobras, companhia que ao longo dos anos vem investindo em tecnologia para extrair esse petróleo onde quer que ele esteja, deixa o Brasil em condições mais favoráveis para que siga crescendo e se desenvolvendo, diminuindo suas desigualdades e fomentando as potencialidades de seu povo.

Reserva brasileira de hidrocarbonetos confere ao país mais condições de seguir crescendo, diminuindo suas desigualdes e se desenvolvendo

GLP em Minas

Há indícios da existência de gás liquefeito de petróleo (GLP) na Bacia do Rio São Francisco, que tem uma área de 350.000 km2 e se estende pelos estados de Minas Gerais, Bahia e Goiás. Até o momento, a Petrobras perfurou quatro poços exploratórios na Bacia, sendo dois no estado de Minas Gerais, um em Goiás e um na Bahia.

De acordo com o coordenador do projeto exploratório da Bacia, Heitor Roberto Furrechi, um dos palestrantes participantes, o projeto ainda está em fase de prospecção, portanto, não há ainda exploração e produção em Minas Gerais.

No entanto, a Bacia apresenta várias evidências da existência de um sistema gaseífero, verificadas em quatro dos cinco poços perfurados pela Petrobras, que podem subsidiar decisões futuras quanto à pertinência de atividades adicionais na área. Contudo, nenhum destes poços resultou em descoberta comercial, explica Furrechi.

De qualquer forma, em Minas, os trabalhos seguem nos poços “Oséas”, na cidade de Brasilândia de Minas (início em 2010), e “Amós”, em João Pinheiro (início em 2011).

O tempo de concessão para que seja feita a exploração é de seis anos, de acordo com o contrato firmado entre a companhia e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Dependendo do interesse geológico e/ou exploratório da companhia, a Petrobras pode, após os trabalhos de perfuração do poço, decidir-se por lacrá-lo ou seguir em frente com os trabalhos (inclusive após lacrá-lo, se for o caso), respeitando, evidentemente, o período de concessão estipulado pelo contrato.

Nas cidades onde estão localizados poços exploratórios da Petrobras a companhia constrói toda a infra-estrutura necessária para que o maquinário utilizado nessa extração – pesado – possa ser transportado às localidades, deixando para essas comunidades um legado de construção de estradas e outras benfeitorias.

O GLP, popularmente conhecido como “gás de cozinha”, além de ser utilizado na cocção dos alimentos, tem também aplicações industriais e agrícolas. Em estado gasoso ele é mais pesado que o ar, o que faz com que se concentre próximo do solo em caso de vazamento. Por ser invisível e inodoro, adiciona-se um odorizante não-tóxico, como medida de segurança. Por sua facilidade de armazenamento, transporte, grande eficiência térmica e limpeza na queima, o GLP é usado intensivamente em todo o mundo.

Bacia do Rio São Francisco - Fonte: Agência Petrobras

Álcool ou gasolina: qual deles fica mais em conta?
 
“A conta feita pelas pessoas é a seguinte: se o etanol estiver com preço abaixo de 70% do valor cobrado pela gasolina, a relação custo-benefício passa a não valer (ou seja, no comparativo com o derivado do petróleo, o preço do litro do álcool deve representar cerca de 30% do valor cobrado no litro de gasolina, para que a troca valha a pena)”, disse o consultor da Gerência de Imprensa e Comunicação Interna da Petrobras Distribuidora, Marcelo Siqueira Campos, outro palestrante convidado.
 
Corrente de e-mail que afirma que existe cartelização de preços nos postos BR é um “mito”, afirma Petrobras

A Petrobras esclarece que não existe cartel na venda de combustíveis pelos postos BR, como sugere uma corrente de e-mails que circula na internet há aproximadamente 10 anos.

A companhia explica a estrutura de custos dos postos é muito parecida, e existe um desconhecimento relativo a como se processam os preços dos combustíveis por parte das pessoas que recebem essas correntes de e-mail. Além disso, nessa corrente existem argumentos que até fazem sentido. Assim,  muitos internautas acabam convencidos de que existe uma suposta cartelização dos preços praticados pelo postos BR.

Mas, como deixou claro a assessoria de Comunicação da Petrobras Distribuidora, representada no evento pelo consultor e jornalista da Gerência de Imprensa e Comunicação Interna da empresa, Marcelo Siqueira Campos, “isso não passa de um mito, uma lenda urbana”.

No que diz respeito à estrutura de custos da gasolina, Marcelo enfatiza que cerca de 1/3 do valor do que é pago pelo combustível refere-se a impostos governamentais (em outros países, como algumas das nações citadas na corrente de e-mail, o valor da gasolina é subsidiado), e o restante está ligado a gastos com infra-estrutura, equipamentos, energia e folha de pessoal.

No tocante aos impostos, cabe ressaltar que reduzir os preços da gasolina a patamares muito baixos pode fazer com que seu consumo venha a explodir, diminuindo as chances de êxito do Plano Nacional do Etanol, importante para que o Brasil siga diversificando sua matriz energética.

O jornalista enfatiza ainda que é preciso “desconfiar” de preços muito baixos, porque, segundo Marcelo, o lucro dos postos de gasolina é obtido “nos centavos”, com diferença de preços entre um e outro posto sendo movida pela lei de oferta e procura.

Sendo assim, se o preço da gasolina está muito baixo, tal fato pode sugerir que ou está havendo sonegação de impostos, ou o combustível pode estar sendo adulterado, ou pode estar sendo subsidiado, no caso de ser comercializado em outros países que não o Brasil.

De qualquer maneira, nos postos de bandeira BR o programa “De olho no combustível”, que fará 15 anos em dezembro de 2011, monitora a qualidade do combustível comercializado aos clientes. Adeamis, por lei, o consumidor pode exigir que se faça o teste de qualidade na sua presença, em quaisquer postos de abastecimento.

E por último, mas não menos importante, o jornalista lembra ainda que a Petrobras não pode arbitrar e/ou tabelar os preços dos combustíveis, de acordo com a ANP. Quem determina os preços é o mercado.

ACOMPANHE, ABAIXO, OUTROS ASSUNTOS ABORDADOS PELO CURSO

Pré-sal

Em 2006, após 53 anos de operação e trabalho da Petrobras, o Brasil atingiu a autossuficiência petrolífera (quantidade de petróleo processada semelhante ao consumo). O ano de 2006 foi também o da descoberta do pré-sal.

Tal fato, além de trazer benefícios óbvios ao país, aliviou a balança comercial brasileira (diferença entre as exportações e importações do país), que contabilizava 84% como gasto em petróleo. Nos últimos dois anos, a balança passou a ser superavitária.

O tipo de petróleo do pré-sal assemelha-se àquele encontrado no Oriente Médio, considerado leve, porém o brasileiro possui um teor de enxofre muito menor, o que o torna ambientalmente preferível.

Ademais, o pré-sal tem importância econômica estratégica para o Brasil: do ponto de vista da segurança energética, é a garantia da austossuficiência petrolífera por muitos anos, além de se constituir como uma blindagem contra crises do petróleo e de propiciar o fim da necessidade de importação.

No esquema acima, vê-se onde provavelmente estão localizados os reservatórios de petróleo do pré-sal

De acordo com Arouca, embora já exista tecnologia disponível para “descobrir” esse petróleo (ou seja, para afirmar que existe uma bacia petrolífera no local), é preciso melhorar o aparato tecnológico para que ele possa ser explorado. “Se os recursos, o volume avaliado fossem modestos, certamente não valeria a pena. Mas o volume envolvido é muito grande, então vale o investimento”, afirma Arouca.

A previsão é de que, em 2020, a produção de petróleo só no pré-sal (já concedido) seja de dois bilhões de barris de petróleo ao dia, o dobro do que atualmente é produzido no país. De acordo com Elie Abadie, engenheiro de processamento e consultor sênior da Petrobrás e outro palestrante do Curso, “vale a pena investir em petróleo no país. O custo do investimento vem caindo ao longo dos anos”.

O pré-sal também poderá gerar divisas com exportação, desenvolver o parque industrial do país, criar novos empresas e promover investimento em educação, saúde, habitação, pesquisa tecnológica e infra-estrutura, por meio da renda petrolífera gerada. “Não há por enquanto previsão na lei de investimento em defesa, embora o Ministério da Defesa esteja se articulando nesse sentido. Na minha opinião, pessoal, é preciso também contemplar o investimento em defesa, aparelhando a Marinha e a Aeronáutica. É preciso garantir a defesa do país, cuidando para que o Brasil tenha capacidade para exercer sua vigilância”, pontuou Elie Abadie.

Não só isso: em virtude de todos esses fatores, o país passa a aumentar sua importância estratégica econômica e geopolítica tanto na cena latino-americano quanto na global – aqui se insere a busca pela ocupação de um assento permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

Importância na cena mundial

“O Brasil encontra-se em uma situação privilegiada, no que diz respeito ao conflito de interesses petrolíferos”, afirma Álvaro Arouca, explicando que o Brasil é um país com grandes reservas e que detém alta tecnologia em petróleo. Isso porque existem países, como a Líbia e outras nações do Oriente Médio, que, embora possuam muitas reservas de petróleo, detêm pouca tecnologia, contam com reduzida base industrial, mercado pequeno e vêm sendo alvo de constantes instabilidades político-institucionais.

Principais produtores mundiais -fonte: Agência Petrobras

Há também os países que são grandes consumidores e que detêm alta tecnologia, contam com um grande mercado consumidor, base industrial desenvolvida e possuem estabilidade institucional, como os Estados Unidos e alguns países da Europa, mas que contam com poucas reservas de petróleo (no comparativo com sua demanda, pelo menos).

Já o Brasil, ainda de acordo com Arouca, “conta com base industrial diversificada e grande mercado consumidor, além de desfrutar de estabilidade institucional e jurídica, o que permite que grandes companhias instalem-se aqui”.

Principais consumidores mundiais - fonte: Agência Petrobras

Desafios

“Nos últimos anos, o mercado aproximou-se muito da capacidade total de refino, o que poderia ter causado um gargalo na capacidade mundial de refino de petróleo. A recessão mundial é que aliviou um pouco a situação”, afirma Elie Abadie.

De acordo com Abadie, atualmente, exporta-se o petróleo considerado “pesado” (com qualidade considerada “inferior”), e o mais leve é deixado para o consumo brasileiro. Estados Unidos, China e Índia são os grandes compradores do petróleo brasileiro exportado.

No entanto, esclarece Abadie, “é preciso investir em tecnologia de refino, porque o Brasil exporta petróleo pesado, com baixo teor de enxofre (fator importante, do ponto de vista ambiental), mas ainda importa petróleo leve”.

Curiosidade: não existem “lençóis de petróleo” e de água!

Não existem “lençóis de petróleo”, bem como não existe “lençol de água”, de gás, etc, pelo menos na acepção estrita do termo. Como explica Álvaro Arouca, gerente de Interpretação Exploratória no Norte da Bacia de Campos, “o que existem são gotículas que estão nos poros das rochas e que, ao surgir uma oportunidade de alívio de pressão, são canalizadas. Sempre pode haver perdas, relativas às gotículas que não são passíveis de serem canalizadas. É preciso haver boa conexão entre essas gotículas para que o óleo possa ser drenado”.

Além disso, não existe apenas um tipo de petróleo. O petróleo tido como mais “pesado (baixo grau API)” demanda mais investimentos no processo de refino, então, possui menor valor agregado. O petróleo brasileiro tende a ser mais pesado, no entanto, tem menor quantidade enxofre, um outro parâmetro considerado na qualidade desejável do hidrocarboneto, porque o enxofre é um grande gerador de gás poluente.

2012 marca a entrada do diesel S50 no mercado

A partir de janeiro do ano que vem, por uma determinação da ANP em conjunto com o Ministério do Meio Ambiente, o Ministério das Minas e Energia e a Petrobras, será obrigatória a venda de diesel S50 para caminhões nos postos de gasolina. Cerca de 900 postos BR estarão aptos a abastecer esses novos modelos de caminhão, disponíveis para comercialização já no ano que vem, que passarão a utilizar esse tipo de diesel.

A noite fria, em um 24 de junho, é de São João. Na véspera, havia-se comemorado o Corpus Christi, o que parece, a despeito da tradição cristã ligada ao dia desse “santo festeiro”, ter arrefecido motivações que geram beligerância entre vizinhos, rivais, amantes – brigas de bar, de gangues, de relacionamento –, que muitas vezes contribuem para que as já apinhadas urgências médicas fiquem ainda mais sobrecarregadas.

Isso porque naquela sexta-feira “relativamente tranquila”, até aquela hora, a da novela das nove (diz-me, minutos antes, um televisor ligado em um supermercado instalado ao lado do HC), perfilavam-se na Sala de Acolhimento “apenas 16 pessoas”, nas palavras de uma técnica de enfermagem que, mesmo não se identificando, prontificou-se a falar com a reportagem. “Já tivemos ocasiões em que havia nessa Sala 22 pessoas. Às sextas-feiras a demanda costuma ser muito grande, às vezes hoje foi o Corpus Christi, não sei”, filosofa, com um olho na prancheta, repleta de dados, e outro nos pacientes.

Alguns desses pacientes presentes na Sala de Acolhimento não contavam com monitores que verificam, em tempo real e ao mesmo tempo, a pressão arterial, o batimento cardíaco, a quantidade de oxigênio no sangue. Outros não desfrutavam do acesso a fontes de oxigênio, aquelas que são acopladas à parede, de onde saem mangueiras que levam o oxigênio ao paciente. Por causa disso, precisavam ficar na “bala de oxigênio”, espécie de cilindro de oxigênio que é colocado junto à maca, o que não é o ideal, dizem os profissionais de saúde.

Visita da reportagem ao HMC durou cerca de 15 minutos, tempo suficiente para concluir que a saúde pública está doente

“Aqui é só vermelho”

O local é o Hospital Municipal de Contagem (HMC), uma Unidade de Pronto Atendimento que só atende “vermelho”, ou seja, gente que precisa ser imediatamente atendida na sala de emergência.

“Aqui é urgência e emergência a noite toda, e nós não podemos recusar ninguém, pois quem vem para cá são aqueles que não foram aceitos em outras unidades, por estas não contarem com respiradouro, por não poderem realizar exames de imagem, por não contarem com neurologista. Falta espaço físico para acomodar todo mundo, mas como aqui é urgência e é referência, vem tudo para cá. Aqui não é ‘porta aberta’ como outras UPAs, que atendem também ‘verde’ e ‘amarelo’ (*). Aqui é gente que chega esfaqueada, baleada, vítima de acidente de carro e de ataque cardíaco”, diz um médico da urgência do HMC que, preferindo não se identificar, explica que gostaria ter mais dignidade ao exercer medicina, mas que, em meio à falta generalizada de condições de trabalho no HMC, não consegue sequer repousar quando isso é possível durante os seus plantões, de 12 ou 24 horas de duração. A explicação: a parede da Sala de Repouso dos médicos fica rente ao local onde as ambulâncias são estacionadas, para descarregar os enfermos.

“Eu trabalho à noite, às vezes dá para dormir de duas a três horas, e mesmo assim de forma tensa, porque a ambulância chega é aqui atrás da parede da sala onde ficamos, nos intervalos da jornada de trabalho. Mas isso nem é o mais importante. Nós precisamos é ter dignidade de trabalho, de espaço para trabalhar, de material disponível. Eu quero poder atender melhor as pessoas, por isso é preciso que o HMC disponibilize pelo menos mais monitores”, clama um visivelmente sobrecarregado médico.

O doutor diz que “há poucos monitores funcionando 100% – hoje, só 20%, cinco ou seis monitores disponíveis no HMC funcionam plenamente”. O doutor diz também que já que alguns pacientes não contam com esse monitoramento eletrônico, uma triagem precisa ser feita para definir que paciente será conectado a um monitor, com base na gravidade de cada um. Os menos graves têm os dados colhidos de tempo em tempo manualmente.

 Às vezes, conta o médico, é preciso proceder com um revezamento dos monitores entre os pacientes. É que as condições clínicas de quem está “agüentando mais” em um dado momento podem mudar no instante seguinte, explica. “Temos de nos virar para dar conta do recado”, resume.

Respiração mecânica “à mão”

A reportagem apurou que, naquele dia, havia em média somente oito respiradores no HMC. Os respiradores são usados quando o paciente precisa ser “entubado”, ou seja, precisa de ventilação mecânica – um tubo é introduzido em sua traqueia, para reproduzir os movimentos presentes no ato de respirar e bombear oxigênio nos pulmões, que por sua vez, naquele momento, não estão dando conta de funcionar sozinhos. “Nas ocasiões em que todos eles estão sendo utilizados e há mais alguém precisando de respiradouro, usamos o “ambú”, explica técnica de enfermagem. O “ambú” é uma espécie de máscara conectada a um balão de insuflação, que é apertado mecanicamente de forma encadeada, fazendo o oxigênio entrar nos pulmões e reproduzindo o ato de respirar – ou seja, alguém fica lá apertando o “ambú” o tempo que for preciso. A técnica de enfermagem afirma também que “faltam fluxômetros para oxigenoterapia”.

Quanto à disponibilidade de medicamentos, o médico afirma que “o básico da rede SUS está disponível, mas o problema mesmo é falta de material de trabalho e excesso de demanda sem condições de infra-estrutura e de equipamentos para atender toda essa gente. Paciente de urgência que fica em maca no corredor é paciente que precisa ser monitorizado, mas não está sendo”, resume.

Um outro médico fornece mais pistas do quão “peculiar” é a rotina de um médico do HMC: “há situações em que o Hospital está lotado, mas o paciente chega lá, acompanhado de policiais, e nós somos obrigados a atender. Mas quando somos nós que precisamos da presença da polícia, a mesma prontidão em atender ao chamado não é verificada. Outro dia um homem foi baleado lá dentro do Centro de Tratamento Intensivo (CTI), mas a polícia demorou duas horas para chegar. Essa é a nossa rotina”.

“Falta tudo, menos pacientes”

A técnica de enfermagem faz coro com o médico, dizendo que “o salário é pouco, mas a maior dificuldade é a falta de tudo, só não faltam pacientes, é isso que você está vendo aí (aponta para a sala de acolhimento). Com a escala completa, cada técnico de enfermagem fica responsável por dois boxes, os mais graves. No corredor ficam três técnicos. Há um enfermeiro responsável e três clínicos. Aqui é assim: os pacientes entram, a gente sai, porque, de tanta gente, fica difícil até transitar por entre as macas, como você pode perceber”.

De acordo com um dos médicos ouvidos, o HMC tem carência de tudo: “faltam condições de trabalho em todas as clínicas médicas, faltam profissionais, materiais e equipamentos. Há sobrecarga de trabalho para quadros técnicos, como os auxiliares de enfermagem, que trabalham por duas, três pessoas”.

A reportagem é “convidada a se retirar da Sala de Acolhimento e das dependências do hospital”, com a justificativa de que, em se tratando de uma reportagem, era preciso respeitar os trâmites burocráticos para que um pedido formal de autorização para reportagem fosse feito, junto à direção do HMC. A visita do Folha dura pouco, cerca de 15 minutos, talvez mais, talvez menos, tempo suficiente para presenciar, in loco, como o sistema público de saúde vem agonizando. Como cantou em líricos versos o poeta Gonzaguinha, “e a pergunta roda”: por quê?

(*) O Ministério da Saúde determina que o padrão de atendimento deve ser realizado com base no acolhimento com classificação de risco, que prioriza casos que necessitam de intervenção médica de urgência. A classificação de risco do usuário é baseada nas seguintes cores:

- Vermelho, ou seja, emergência (será atendido imediatamente na sala de emergência);

- Amarelo, ou seja, urgência (será atendido com prioridade sobre os pacientes classificados como Verde, no consultório ou leito da sala de observação);

- Verde, ou seja, casos que somente são atendidos após todos os pacientes classificados como Vermelho e Amarelo;

- Azul, ou seja, quadro crônico sem sofrimento agudo ou caso social (deverá ser preferencialmente encaminhado para atendimento em Unidade Básica de Saúde ou atendimento pelo Serviço Social). Se desejar poderá ser atendido após todos os pacientes classificados como Vermelho, Amarelo e Verde.

A saúde pública é financiada por recursos advindos da receita própria dos municípios e pelas transferências advindas das esferas estadual e federal. As transferências podem ser receitas constitucionais, determinadas pela Constituição, e voluntárias, advindas de convênios, feitos junto à União e aos estados. Cada esfera governamental deve assegurar o aporte regular de recursos ao respectivo fundo de saúde, de acordo com a Emenda Constitucional nº 29/2000. Aos municípios, cabe um mínimo de 15%

O Ministério da Saúde (MS) repassa aos municípios, mensalmente, parte dos recursos que financiam a assistência prestada à saúde da população, por meio do Fundo Nacional de Saúde (FNS). Quer dizer, para o cumprimento da programação estabelecida dos serviços de saúde e das ações estratégicas no município de Contagem, no devido tempo, é preciso que o governo federal (mas não só ele – também o estadual) financie parte desses serviços e ações.

Se a gestão é compartilhada, a responsabilidade da prestação de serviços de saúde pública deve ser dividida entre municípios, estados e a União

Para se ter uma ideia da importância dos repasses do MS para o financiamento da saúde pública, convém dar uma olhada em estatísticas desse Ministério produzidas no ano de 2004. De acordo com MS, naquele ano a despesa com saúde por habitante foi de R$358 reais nas três esferas de governo. Desse montante, pouco mais da metade, R$180, foi financiada pela União; R$90 reais, pelos municípios; e R$ 88 reais, pelos estados.

São financiados por esses recursos:

  • Atenção Básica (ATB): postos de saúde, clínica pediátrica, ginecologia, obstetrícia, vacinação, cirurgia geral, saúde bucal;
  • Assistência Farmacêutica (AF): fornecimento de medicação, farmácia básica e de alta complexidade; 
  • Despesas Administrativas (ADM);
  • Gestão do SUS (GSUS);
  • Investimento (INVEST);
  • Média e Alta Complexidade ambulatorial e hospitalar (MAC): especialidades médicas, que recebem os recursos de acordo com o desempenho;
  • Transferências não-regulamentadas por blocos de financiamento (DIVERSOS);
  • Vigilância em Saúde (VS). 

Transferências

As transferências da União, regulares ou eventuais, estão condicionadas à contrapartida dos municípios, estados e do Distrito Federal, em conformidade com as normas legais vigentes (Lei de Diretrizes Orçamentárias, LDO, e outras).

As transferências regulares e automáticas destinam-se ao financiamento das ações e serviços de saúde, contemplando as transferências “fundo a fundo” e os pagamentos diretos a prestadores de serviços e beneficiários cadastrados, de acordo com os valores e condições estabelecidas em portarias do MS. Quer dizer, as transferências “fundo a fundo” consistem no repasse de valores, de forma regular e automática, diretamente do FNS para os estados e municípios e o Distrito Federal, independentemente de convênio ou instrumento similar. Destinam-se ao financiamento das ações estratégicas e serviços de saúde.

As transferências voluntárias são, por sua vez, repasses de recursos para municípios ou estados para cooperação, auxílio ou assistência financeira não decorrente de determinação constitucional, ou que se destine ao SUS. Por exemplo, em situações emergenciais, como enchentes e calamidades públicas, o MS pode repassar aos municípios, por um determinado tempo, verbas específicas para sanar ou minimizar problemas decorrentes das calamidades.

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