Pelo menos agora não se pode mais dizer que “o PIG (*) não existe”!!!
A emissora de TV RecordNews foi, até então, a única a quebrar o silêncio em torno de denúncias (amplamente acompanhada por documentação obtida de forma legal, em cartórios, por exemplo) contra a fina flor tucana, como José Serra (e sua família), Ricardo Sérgio de Oliveira, caixa das campanhas eleitorais do PSDB, e Aécio Neves. As denúncias integram o livro “A privataria tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr., lançado a menos de uma semana e já esgotado (15 mil cópias!).
A reportagem da RecordNews está disponível aqui.
O livro de Amaury, fruto de mais de dez anos de pesquisa, é um verdadeiro fenômeno editorial que convenientemente não recebeu o devido destaque na chamada grande mídia. As denúncias, pesadas e volumosas, dão conta de movimentações superiores a 2,5 bilhões de dólares, via paraísos fiscais, que envolvem suposta prática de corrupção, lavagem de dinheiro, propina, tráfico de influências, fraude em concorrências e arapongagem, dentre outras falcatruas que teriam ocorrido no contexto das privatizações do governo FHC.
Amaury Ribeiro Jr., repórter investigativo que já ganhou o Prêmio Esso de Reportagem, uma espécie de Oscar do jornalismo brasileiro, traz à tona denúncias seríssimas, mas que vem sendo solenemente ignoradas pela chamada grande mídia.

"Sete ministros da presidente Dilma já caíram, sempre em razão de denúncias de corrupção ou tráfico de influência. Em todos os casos, a mídia cumpriu seu papel. Investigou e manchetou. Impiedosamente. A oposição botou a boca no trombone, como lhe cabe fazer. Mas desde sexta-feira o que se ouve é um Estrondoso Silêncio (Bob Fernandes, comentarista político)".
Tal fato mostra, agora para quem quiser ver (e der conta de ver, pois se vê aquilo que se dá conta), que o denuncismo midiático, o “jornalismo investigativo”, além de se constituir como um misancene de uma mídia partidária, autorreferenciada e dotada de uma moralidade seletiva – a mídia NÃO é isenta, NÃO é objetiva -, em nada contribui para o aprimoramento da democracia, já que escolhe que tipos de “verdades” deverão chegar às pessoas, em detrimento de outras, para que as pessoas pensem de uma forma e não de outra forma.
Ora, não é preciso ser especialista em semiótica para perceber isso, que a mídia busca forjar uma pretensa esfera pública de acordo com seus próprios critérios do que venha a ser “interesse público”!
Teorias da comunicação: mídia manipula multidão
Ainda assim, vale a pena reproduzir abaixo um resumo sobre as Teorias da Comunicação, por Mauro Wolf, disponível na Wikipédia aqui:
“A Teoria do Agendamento estuda o poder de agenda dos meios de comunicação, ou seja, a capacidade que estes possuem para evidenciar um determinado assunto. Para isso, investiga a importância da mídia como mediadora entre o indivíduo e uma realidade da qual este se encontra distante. O Agenda Setting é referido como uma “hipótese” devido às dificuldades metodológicas impostas por suas premissas e conclusões.
Os estudos sobre os gatekeepers (“guardiões do portão”) analisam o comportamento dos profissionais da comunicação, de forma a investigar que critérios são utilizados para se divulgar ou não uma notícia. Isso porque estes profissionais atuariam como guardiões que permitem ou não que a informação “passe pelo portão”, ou melhor, seja veiculada na mídia. A decisão de publicar algo ou não publicar depende principalmente dos acertos e pareceres entre os profissionais, que estão subordinados a uma cultura de trabalho ou uma política empresarial e ainda aos critérios de noticiabilidade. E que não raro exclui o contato com o público.
Segundo Mauro Wolf, o conceito de newsmaking diz respeito ao profissional jornalista que dentro da empresa atua como editor. É aquele que é responsável pela configuração final da página (quando no jornal impresso) ou da sequência das notícias, bem como daquelas que serão manchetes. É um sujeito que fabrica a realidade porque, tendo incorporado os critérios universais de seleção daquilo que distingue fatos de acontecimento, vai selecionar de acordo com a seleção já determinada pelas agências de notícias.
O editor – que é um gatekeeper ao selecionar – fabrica o que vai ser notícia. O jornalismo de massa, ou o jornalismo produzido pela indústria cultural, é um jornalismo que serve aos interesses do capital e é produzido para reproduzir comportamentos e não para informar, no sentido que esperava-se do jornalismo. Isto porque quem mantém um jornal é sempre alguém que é um grande proprietário ou alguém em débito com o governo e/ou com as elites econômicas.”
(fonte: WOLF, Mauro. Teorias da Comunicação. Lisboa: Editorial Presença, 1995.)
“Se o livro de Amaury não prova nada, que se escreva isso”
“Se o livro do Amaury não é bom e não prova nada, que se escreva isso com todas as letras. O que não dá é para fingir que o livro, resultado de mais de dez anos de pesquisas do repórter, não existe, é um fantasma criado pela blogosfera desvairada. (…) Trata-se do exemplo mais descarado de manipulação da informação e do tratamento seletivo das denúncias do “jornalismo investigativo” da velha imprensa. (…) Para quê e para quem, afinal, serve esta liberdade de imprensa pela qual todos nós lutamos durante os tempos da ditadura, que eles apoiaram, e hoje é propriedade privada de meia dúzia de barões da mídia que decidem o que devemos ou não saber?”, pergunta-se em seu blog o jornalista Ricardo Kotscho, 63, repórter desde 1964, que já trabalhou em praticamente todos os principais veículos da imprensa brasileira, ganhou os prêmios Esso, Herzog, Carlito Maia, Comunique-se, Top Blog e Cláudio Abramo, dentre outros, e em 2008 foi um dos cinco jornalistas brasileiros contemplados com o Troféu Especial de Imprensa da ONU.
“Sete ministros da presidente Dilma já caíram, sempre em razão de denúncias de corrupção ou tráfico de influência. Em todos os casos, a mídia cumpriu seu papel. Investigou e manchetou. Impiedosamente. A oposição botou a boca no trombone, como lhe cabe fazer. Mas desde sexta-feira o que se ouve é um Estrondoso Silêncio”, afirma Bob Fernandes, comentarista político. O vídeo com o comentário completo está disponível aqui.
Paulo Henrique Amorim dá conta em seu Conversa Afiada de que no “Epílogo” de “A Privataria Tucana” é possível ser lembrado de que:
“- no México, o presidente Carlos Salinas de Gortari, santo padroeiro das privatizações (ele entregou o México ao Slim), fugiu para Nova York num jatinho.
- o presidente da Bolívia, Gonzalo Sánchez Lozada, que entregou até a água do país, fugiu para Miami aos gritos de “ assassino !”.
- Fujimori, o campeão das privatizações peruanas, admitiu pagar propinas ou “briberization” – expressão do Joseph Stiglitz, que o Amaury gosta de usar – no valor de US$ 15 milhões.
- na Argentina, ninguém, mais fala “Menem”. Quando é para se referir ao herói da privatização argentina, “el saqueo”, o presidente Carlos Menem, se diz “Mendéz”, para não dar azar. Menem fugiu para o Chile atrás de uma starlet e voltou para a Argentina munido de um mandato de Senador, para não ir em cana.
- aqui, levam o Fernando Henrique a sério”.
Onde está o pessoal da “Marcha da corrupção” agora (eu me pergunto)? Acorda, galera!
(*) PIG: “O Partido da Imprensa Golpista (comumente abreviado para PIG ou PiG) é uma expressão usada por órgãos de imprensa e blogs políticos de orientação de esquerda para se referir a órgãos de imprensa e jornalistas por eles considerados tendenciosos, que se utilizariam do que chamam grande mídia como meio de propagar suas ideias e tentar desestabilizar governos de orientação política contrária.
(….) O termo é utilizado para se referir à qualidade do jornalismo praticado pelos grandes veículos de comunicação do Brasil, que seria, segundo seus criadores e utilizadores, demasiadamente conservador e que teria o intuito de prejudicar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e membros de seu governo de forma constante.
(…) A expressão foi popularizada pelo jornalista Paulo Henrique Amorim em seu blog Conversa Afiada.
(…)Amorim afirma ainda que a imprensa brasileira seria golpista sempre que o presidente da república é de origem trabalhista, ao mesmo tempo a imprensa nunca publicaria absolutamente nada contra presidentes de origem não trabalhista. O PIG, segundo ele, teria sua origem com Carlos Lacerda, que ajudou a “matar Getúlio Vargas”; teria continuado travando sua luta contra Juscelino Kubitschek e João Goulart, até se aliar à ditadura militar; teria perseguido o governo Brizola; e agora conspiraria contra o governo Lula.
(…) O cientista político Wanderley Guilherme dos Santos declarou, em entrevista à revista Carta Capital em 2005: “A grande imprensa levou Getúlio ao suicídio com base em nada; quase impediu Juscelino de tomar posse, com base em nada; levou Jânio à renúncia, aproveitando-se da maluquice dele, com base em nada; a tentativa de impedir a posse de Goulart com base em nada.”. Na opinião de Santos o papel da imprensa livre é o de “tomar conta, sim. Desestabilizar, não. A estabilidade não pode depender de militar, nem da Igreja, nem da imprensa” (Trechos extraídos do verbete “PIG” da Wikipédia, disponível aqui).






















