Outro dia, assisti a um documentário pelo Youtube, o “Earthlings” (Terráqueos). Embora em minha vida eu tenha problematizado, mesmo que por flashes, a relação dos seres humanos com os animais, precisei assitir ao documentário para que minha pseudo-ignorância sobre o tema caísse como um castelo de cartas… agora já não poso mais dar desculpas furadas, do tipo “eu não tenho consciência disso”, pois sei que minha omissão e a distância em que me encontro dos abatedouros já não poderão justificar a carnificina à qual os animais são submetidos diariamente, em todo o mundo. Sei também que a justificativa de que “como carne por instinto” já não cabe ao contexto em que vivo, no qual escolho, na prateleira de um supermercado, uma peça de carne (uma mercadoria inserida num altíssimo e avançado estágio do capitalismo).
Diante desses aforismos e divagações, resolvi compartilhar o que agora sei com os leitores deste blog.
E para aqueles que crêem em Deus (ou em Alá, Buda, sei lá, qualquer tipo de Ser Superior que dê ordem ao caos e sentido à vida): talvez o ser humano tenha que desenvolver uma relação mais mística em relação aos animais para salvar a sua própria pele!
Conceituação…
Segundo o documentário, as imagens – chocantes – não são fatos isolados, e sim o padrão da indústria para a criação de animais, cujas finalidades são a companhia (estimação), a alimentação, o vestuário, o entretenimento e as pesquisas voltadas para os seres humanos. Os trechos, devidamente identificados por aspas, são a reprodução literal da tradução de pequenas partes do documentário. Peço para que todos os leiam até o fim.
Conceito de terráqueo: aquele que habita na Terra. Não há sexismo, racismo ou especismo no termo terráqueo. Humanos, então, não sendo a única espécie do planeta, compartilham este mundo com outros milhões de criaturas vivas. Entretanto, o terráqueo humano é o que tende a dominar a Terra e, freqüentemente, trata outros terráqueos como meros objetos. Este é o significado de “especismo”.
Conceito de especismo: por analogia ao racismo ou sexismo, é um preconceito ou atitude tendenciosa em favor dos interesses dos membros de sua própria espécie e contra os membros de outras espécies.
Explanação…
“Os três estágios da verdade: ridicularização, oposição violenta e aceitação”.
“Humanos, através do racismo e do sexismo, têm o poder de explorar os mais fracos.
Animais e humanos têm desejos em comum: desejos por comida e água, abrigo e companhia, liberdade de movimentos e de não sentir dor. Como os humanos, os animais não-humanos entendem o mundo no qual vivem; eles também têm consciência, não somente estão no mundo, mas estão cientes dele, como os humanos. Como os humanos, são o centro psicológico de uma vida que é somente sua. Então, qual deve ser nosso tratamento em relação a eles? Qual deve ser nossa conduta moral diante deles? Estas respostas começam a surgir no reconhecimento das semelhanças psicológicas existentes entre seres humanos e animais.”
“O vencedor do Prêmio Nobel Isaac Bashevis Singer (1904-1991) escreveu em seu livro de maior sucesso, “Enemies”, o seguinte: “por mais que herman tivesse testemunhado o abate de animais e peixes, ele sempre tinha o mesmo pensamento: no seu comportamento em relação aos animais, todos os homens são nazistas. A presunção através da qual o homem julga poder fazer o que quiser com outras espécies exemplifica as teorias racistas mais extremas – a lei do mais forte”. Embora alguns possam argumentar que o sofrimento dos animais não possa ser comparado ao dos judeus, há, de fato, semelhanças. E para os prisioneiros e vítimas deste assassinato em massa, os animais, o holocausto está longe do fim.”
Reflexão…
“Se há algo que podemos aprender através de experimentos que utilizam dor e humilhação no nível psicológico, por meio de aço, eletricidade ou violência psíquica em animais, não importando seus pretextos ou formas, não pode alcançar nada além do que já fez: mostrar qual é o ponto mais baixo de humilhação que o homem pode alcançar. Se é isso mesmo o que queremos saber. “Enquanto existirem abatedouros, existirão cmpos de concentração” (Leo Toistoy).”
“Ignorância é a primeira linha de defesa do especifista. Ainda assim, pode ser facilmente rompida a qualquer momento, com determinação para se descobrir a verdade. “Não me conte, você vai estragar o meu jantar” é a resposta-padrão a qualquer tentativa de se contar a alguém como aquele jantar foi produzido. Mesmo as pessoas que sabem que a fazenda familiar foi substituída pelos grandes centros de agronegócio, que suas roupas vêm de vacas mortas, que seu entretenimento significa dor e morte a milhões de animais e que alguns experimentos questionáveis ocorrem em laboratórios declaram acreditar que as condições destes animais não podem ser tão ruins, senão os governos e/ou as sociedades protetoras dos animais já teriam feito algo a respeito.”
“Mas não é a incapacidade de descobrir o que já está acontecendo, tampouco a capacidade de saber dos fatos que podem pesar na consciência os responsáveis pela falta de atenção ao assunto. Afinal, as vítimas, independentemente do que esteja acontecendo nesses lugares horrorosos, não são membros do nosso próprio grupo. Tudo se reduz à dor e sofrimento, não à inteligência, à força, à classes sociais ou ao direito civil: dor e sofrimento são coisas ruins em si e devem ser evitados ou minimizados, não importando a raça, sexo ou espécie de quem sofre.”
Ação!
“Somos todos animais deste planeta, todos criaturas da Terra, animais humanos e não-humanos que experimentam as mesmas sensações. Os animais também são fortes, inteligentes, trabalhadores, ágeis e evoluem. São capazes de crescimento e adaptação e, como nós, acima de tudo, são terráqueos. Como nós, procuram o conforto próprio, expressam graus de emoção e, é claro, como nós, estão vivos. Quando analisamos nossa completa dependência em relação aos animais para companhia, alimentação, vestuário, esporte, entretenimento, e pesquisas médicas, ironicamente vemos o total desrespeito da humanidade por estes provedores não-humanos.”
“Agora, deparamo-nos com as conseqüências inevitáveis. Isso é evidente em relatórios de saúde, devido ao nosso consumo excessivo de animais – câncer, doenças cardíacas, osteoporose, infartos, cálculos renais, anemia, diabete e outros. Até nossa comida foi afetada na própria fonte com antibióticos e hormônios artificiais, utilizados para promover a engorda e a produtividade dos animais. Não é de se surpreender que a doença da vaca louca, a febre aftosa, a pfisteria e muitas outras anomalias dos animais tenham sido soltas no público humano. A natureza não é responsável por isso, nós somos.”
“As mudanças são necessárias; ou as fazemos ou a natureza nos força a fazê-las. Chegou a hora de todos reconsiderarmos nossos hábitos alimentares, nossas tradições, nossos estilos e modas e, acima de tudo, nosso modo de pensar. Uma coisa é certa: animais utilizados para companhia, alimentação, vestuário, entretenimento e pesquisas – todos eles morrem de dor. Já não é o suficiente que os animais vivam em isolamento permanente da expansão e progresso humanos? Lembremo-nos que, para muitas espécies, simplesmente não há mais para onde ir. Parece que o destino dos animais resume-se a não ser desejados pelos seres humanos ou serem desejados demais… lembremo-nos que existem três forças primárias neste planeta – natureza, animais e humanidade – terráqueos.”
Escrito, produzido e dirigido por Shaun Monson
Narração de Joaquim Phoenix
Uma produção da Nation Earth Organization
Veja os vídeos da série TERRÁQUEOS em nossa página de vídeos!
Veja também:
- Em defesa dos animais – contra a venda de animais no Mercado Central de BH;
- Animais de rua: BH mostra que a parceria e o diálogo são mais eficientes que a matança e a omissão.
