Dentre os temas abordados pela iniciativa de capacitar profissionais para a cobertura de assuntos ligados a petróleo, gás natural e energias renováveis, indícios de existência de GLP na Bacia do Rio São Francisco, descoberta do pré-sal e importância estratégica da autossuficiência petrolífera brasileira na cena mundial
A Petrobras realizou o “Curso de Energia para Jornalistas” em Belo Horizonte, nos dias 3 e 4 de novembro, que ocorreu na região central da capital mineira. O objetivo da iniciativa, que já se deu em outros locais do Brasil, é instrumentalizar jornalistas para cobrir a área de energia ligada ao petróleo e derivados.
Essa instumentalização é importante porque a cobertura do tema é por vezes muito técnica, o que exige um conhecimento mínimo de geopolítica petrolífera, processos de refino, biocombustíveis, energias renováveis e até mesmo de geologia brasileira por parte de repórteres e editores.
O mercado de derivados de petróleo e biocombustíveis vem crescendo em números superiores aos do PIB brasileiro. A evolução da demanda de biocombustíveis, recente, aumentou a capacidade de o consumidor escolher que tipo de combustível usar.
Os combustíveis são importantes para o orçamento tributário de Minas Gerais, e foram responsáveis por 18,60% da composição do ICMS do estado no ano de 2010, figurando em terceiro lugar no ranking dos maiores contribuintes (por setor), atrás de Indústria (23,25%) e Comércio (21,21%). Desses 18,60%, a Petrobras é responsável por 15,4%, e a Refinaria Gabriel Passos (Regap), por 10,1%.
Ao longo dos quase 60 anos de existência da Petrobras, criada por Getúlio Vargas em 1953, a companhia adquiriu, de acordo com Álvaro Arouca, gerente de Interpretação Exploratória no Norte da Bacia de Campos e um dos palestrantes convidados, “um conhecimento muito seguro das bacias petrolíferas, principalmente na época do monopólio. Entender o processo geológico brasileiro, para saber onde buscar petróleo, adaptando-se às ferramentas tecnológicas e às matrizes energéticas foi e é fundamental para isso”.
Arouca afirma ainda que a decisão da companhia de ir para o mar no ano de 1968, que partiu de uma consciência de que o petróleo em terra, mais valorizado comercialmente, não deveria ser o foco brasileiro, “fez com que a Petrobras viesse a se tornar o que ela é hoje”.

A estimativa é a de que o petróleo siga sendo a principal matriz energética do mundo até pelo menos 2030
A queima de combustíveis fósseis do atual estágio do way of life da humanidade, moderno e capitalista, do qual ninguém parece escapar, é apontada como uma das maiores responáveis pelo aquecimento global em curso. Ademais, existe um clamor, com ocorrências pontuais, em prol do desenvolvimento de tecnologias que viabilizem a utilização de fontes de energia renováveis e politicamente ecológicas, em escala mundial.
Tais fatores sugerem que o mundo precisa rever sua política de utilização do petróleo na manutenção de seu estilo de vida.
Contudo, o petróleo é e seguirá ainda o sendo, por décadas, uma das pincipais matrizes energéticas do planeta.
E, sendo assim, possuir reservas de hidrocarbonetos em solo brasileiro e um patrimônio como a Petrobras, companhia que ao longo dos anos vem investindo em tecnologia para extrair esse petróleo onde quer que ele esteja, deixa o Brasil em condições mais favoráveis para que siga crescendo e se desenvolvendo, diminuindo suas desigualdades e fomentando as potencialidades de seu povo.

Reserva brasileira de hidrocarbonetos confere ao país mais condições de seguir crescendo, diminuindo suas desigualdes e se desenvolvendo
GLP em Minas
Há indícios da existência de gás liquefeito de petróleo (GLP) na Bacia do Rio São Francisco, que tem uma área de 350.000 km2 e se estende pelos estados de Minas Gerais, Bahia e Goiás. Até o momento, a Petrobras perfurou quatro poços exploratórios na Bacia, sendo dois no estado de Minas Gerais, um em Goiás e um na Bahia.
De acordo com o coordenador do projeto exploratório da Bacia, Heitor Roberto Furrechi, um dos palestrantes participantes, o projeto ainda está em fase de prospecção, portanto, não há ainda exploração e produção em Minas Gerais.
No entanto, a Bacia apresenta várias evidências da existência de um sistema gaseífero, verificadas em quatro dos cinco poços perfurados pela Petrobras, que podem subsidiar decisões futuras quanto à pertinência de atividades adicionais na área. Contudo, nenhum destes poços resultou em descoberta comercial, explica Furrechi.
De qualquer forma, em Minas, os trabalhos seguem nos poços “Oséas”, na cidade de Brasilândia de Minas (início em 2010), e “Amós”, em João Pinheiro (início em 2011).
O tempo de concessão para que seja feita a exploração é de seis anos, de acordo com o contrato firmado entre a companhia e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Dependendo do interesse geológico e/ou exploratório da companhia, a Petrobras pode, após os trabalhos de perfuração do poço, decidir-se por lacrá-lo ou seguir em frente com os trabalhos (inclusive após lacrá-lo, se for o caso), respeitando, evidentemente, o período de concessão estipulado pelo contrato.
Nas cidades onde estão localizados poços exploratórios da Petrobras a companhia constrói toda a infra-estrutura necessária para que o maquinário utilizado nessa extração – pesado – possa ser transportado às localidades, deixando para essas comunidades um legado de construção de estradas e outras benfeitorias.
O GLP, popularmente conhecido como “gás de cozinha”, além de ser utilizado na cocção dos alimentos, tem também aplicações industriais e agrícolas. Em estado gasoso ele é mais pesado que o ar, o que faz com que se concentre próximo do solo em caso de vazamento. Por ser invisível e inodoro, adiciona-se um odorizante não-tóxico, como medida de segurança. Por sua facilidade de armazenamento, transporte, grande eficiência térmica e limpeza na queima, o GLP é usado intensivamente em todo o mundo.
A Petrobras esclarece que não existe cartel na venda de combustíveis pelos postos BR, como sugere uma corrente de e-mails que circula na internet há aproximadamente 10 anos.
A companhia explica a estrutura de custos dos postos é muito parecida, e existe um desconhecimento relativo a como se processam os preços dos combustíveis por parte das pessoas que recebem essas correntes de e-mail. Além disso, nessa corrente existem argumentos que até fazem sentido. Assim, muitos internautas acabam convencidos de que existe uma suposta cartelização dos preços praticados pelo postos BR.
Mas, como deixou claro a assessoria de Comunicação da Petrobras Distribuidora, representada no evento pelo consultor e jornalista da Gerência de Imprensa e Comunicação Interna da empresa, Marcelo Siqueira Campos, “isso não passa de um mito, uma lenda urbana”.
No que diz respeito à estrutura de custos da gasolina, Marcelo enfatiza que cerca de 1/3 do valor do que é pago pelo combustível refere-se a impostos governamentais (em outros países, como algumas das nações citadas na corrente de e-mail, o valor da gasolina é subsidiado), e o restante está ligado a gastos com infra-estrutura, equipamentos, energia e folha de pessoal.
No tocante aos impostos, cabe ressaltar que reduzir os preços da gasolina a patamares muito baixos pode fazer com que seu consumo venha a explodir, diminuindo as chances de êxito do Plano Nacional do Etanol, importante para que o Brasil siga diversificando sua matriz energética.
O jornalista enfatiza ainda que é preciso “desconfiar” de preços muito baixos, porque, segundo Marcelo, o lucro dos postos de gasolina é obtido “nos centavos”, com diferença de preços entre um e outro posto sendo movida pela lei de oferta e procura.
Sendo assim, se o preço da gasolina está muito baixo, tal fato pode sugerir que ou está havendo sonegação de impostos, ou o combustível pode estar sendo adulterado, ou pode estar sendo subsidiado, no caso de ser comercializado em outros países que não o Brasil.
De qualquer maneira, nos postos de bandeira BR o programa “De olho no combustível”, que fará 15 anos em dezembro de 2011, monitora a qualidade do combustível comercializado aos clientes. Adeamis, por lei, o consumidor pode exigir que se faça o teste de qualidade na sua presença, em quaisquer postos de abastecimento.
E por último, mas não menos importante, o jornalista lembra ainda que a Petrobras não pode arbitrar e/ou tabelar os preços dos combustíveis, de acordo com a ANP. Quem determina os preços é o mercado.
ACOMPANHE, ABAIXO, OUTROS ASSUNTOS ABORDADOS PELO CURSO
Pré-sal
Em 2006, após 53 anos de operação e trabalho da Petrobras, o Brasil atingiu a autossuficiência petrolífera (quantidade de petróleo processada semelhante ao consumo). O ano de 2006 foi também o da descoberta do pré-sal.
Tal fato, além de trazer benefícios óbvios ao país, aliviou a balança comercial brasileira (diferença entre as exportações e importações do país), que contabilizava 84% como gasto em petróleo. Nos últimos dois anos, a balança passou a ser superavitária.
O tipo de petróleo do pré-sal assemelha-se àquele encontrado no Oriente Médio, considerado leve, porém o brasileiro possui um teor de enxofre muito menor, o que o torna ambientalmente preferível.
Ademais, o pré-sal tem importância econômica estratégica para o Brasil: do ponto de vista da segurança energética, é a garantia da austossuficiência petrolífera por muitos anos, além de se constituir como uma blindagem contra crises do petróleo e de propiciar o fim da necessidade de importação.
De acordo com Arouca, embora já exista tecnologia disponível para “descobrir” esse petróleo (ou seja, para afirmar que existe uma bacia petrolífera no local), é preciso melhorar o aparato tecnológico para que ele possa ser explorado. “Se os recursos, o volume avaliado fossem modestos, certamente não valeria a pena. Mas o volume envolvido é muito grande, então vale o investimento”, afirma Arouca.
A previsão é de que, em 2020, a produção de petróleo só no pré-sal (já concedido) seja de dois bilhões de barris de petróleo ao dia, o dobro do que atualmente é produzido no país. De acordo com Elie Abadie, engenheiro de processamento e consultor sênior da Petrobrás e outro palestrante do Curso, “vale a pena investir em petróleo no país. O custo do investimento vem caindo ao longo dos anos”.
O pré-sal também poderá gerar divisas com exportação, desenvolver o parque industrial do país, criar novos empresas e promover investimento em educação, saúde, habitação, pesquisa tecnológica e infra-estrutura, por meio da renda petrolífera gerada. “Não há por enquanto previsão na lei de investimento em defesa, embora o Ministério da Defesa esteja se articulando nesse sentido. Na minha opinião, pessoal, é preciso também contemplar o investimento em defesa, aparelhando a Marinha e a Aeronáutica. É preciso garantir a defesa do país, cuidando para que o Brasil tenha capacidade para exercer sua vigilância”, pontuou Elie Abadie.
Não só isso: em virtude de todos esses fatores, o país passa a aumentar sua importância estratégica econômica e geopolítica tanto na cena latino-americano quanto na global – aqui se insere a busca pela ocupação de um assento permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).
Importância na cena mundial
“O Brasil encontra-se em uma situação privilegiada, no que diz respeito ao conflito de interesses petrolíferos”, afirma Álvaro Arouca, explicando que o Brasil é um país com grandes reservas e que detém alta tecnologia em petróleo. Isso porque existem países, como a Líbia e outras nações do Oriente Médio, que, embora possuam muitas reservas de petróleo, detêm pouca tecnologia, contam com reduzida base industrial, mercado pequeno e vêm sendo alvo de constantes instabilidades político-institucionais.
Há também os países que são grandes consumidores e que detêm alta tecnologia, contam com um grande mercado consumidor, base industrial desenvolvida e possuem estabilidade institucional, como os Estados Unidos e alguns países da Europa, mas que contam com poucas reservas de petróleo (no comparativo com sua demanda, pelo menos).
Já o Brasil, ainda de acordo com Arouca, “conta com base industrial diversificada e grande mercado consumidor, além de desfrutar de estabilidade institucional e jurídica, o que permite que grandes companhias instalem-se aqui”.
Desafios
“Nos últimos anos, o mercado aproximou-se muito da capacidade total de refino, o que poderia ter causado um gargalo na capacidade mundial de refino de petróleo. A recessão mundial é que aliviou um pouco a situação”, afirma Elie Abadie.
De acordo com Abadie, atualmente, exporta-se o petróleo considerado “pesado” (com qualidade considerada “inferior”), e o mais leve é deixado para o consumo brasileiro. Estados Unidos, China e Índia são os grandes compradores do petróleo brasileiro exportado.
No entanto, esclarece Abadie, “é preciso investir em tecnologia de refino, porque o Brasil exporta petróleo pesado, com baixo teor de enxofre (fator importante, do ponto de vista ambiental), mas ainda importa petróleo leve”.
Curiosidade: não existem “lençóis de petróleo” e de água!
Não existem “lençóis de petróleo”, bem como não existe “lençol de água”, de gás, etc, pelo menos na acepção estrita do termo. Como explica Álvaro Arouca, gerente de Interpretação Exploratória no Norte da Bacia de Campos, “o que existem são gotículas que estão nos poros das rochas e que, ao surgir uma oportunidade de alívio de pressão, são canalizadas. Sempre pode haver perdas, relativas às gotículas que não são passíveis de serem canalizadas. É preciso haver boa conexão entre essas gotículas para que o óleo possa ser drenado”.
Além disso, não existe apenas um tipo de petróleo. O petróleo tido como mais “pesado (baixo grau API)” demanda mais investimentos no processo de refino, então, possui menor valor agregado. O petróleo brasileiro tende a ser mais pesado, no entanto, tem menor quantidade enxofre, um outro parâmetro considerado na qualidade desejável do hidrocarboneto, porque o enxofre é um grande gerador de gás poluente.
2012 marca a entrada do diesel S50 no mercado
A partir de janeiro do ano que vem, por uma determinação da ANP em conjunto com o Ministério do Meio Ambiente, o Ministério das Minas e Energia e a Petrobras, será obrigatória a venda de diesel S50 para caminhões nos postos de gasolina. Cerca de 900 postos BR estarão aptos a abastecer esses novos modelos de caminhão, disponíveis para comercialização já no ano que vem, que passarão a utilizar esse tipo de diesel.





